Buenos Aires, 02 (AE-AP) - A Corte Suprema de Justiça condenou o ex-almirante Eduardo Massera a pagar US$ 120.000 ao único sobrevivente de uma família desaparecida durante a ditadura que governou até 1983, segundo decisão divulgada nesta quinta-feira (02).
A imprensa qualificou como "inédita" a determinação que também condenou o Estado a pagar US$ 1 milhão a Daniel Tarnopolsky, que iniciou o processo em 1987 pelo desaparecimento de seus pais Hugo e Blanca Edelberg, e de seus dois irmãos, Sergio e Bettina.
Massera e o Estado apelaram da sentença em primeira instância argumentando que a ação prescrevera, pois os atos ocorreram em 1976 e o processo foi iniciado em 1987.
A Corte, no entanto, sustentou que a causa não está prescrita "enquanto não se estabelecer o destino ou paradeiro da vítima desaparecida".
Massera foi o primeiro chefe da marinha de guerra durante a ditadura e integrou a Junta Militar que derrubou em 1976 a ex-presidente Isabel Perón.
Tarnopolsky, que reside na França, iniciou o processo por "danos morais e materiais" e é a primeira decisão que agora pode estender-se a outros ex-militares acusados de graves violações aos direitos humanos.

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