Genebra, 14 (AE-AP) - A situação dos direitos humanos na Colômbia deteriorou-se substancialmente no último ano, com o aumento de massacres, ameaças de morte e sequestros, disse hoje (14) a alta comissariada para os Direitos Humanos da ONU, Mary Robinson.
A maioria das denúncias envolve grupos paramilitares da Colômbia, afirmou Robinson, apresentando seu relatório sobre o país na Comissão de Direitos Humanos da ONU, de 53 membros.
Mas ela também destacou denúncias de que integrantes das forças armadas e da polícia são responsáveis por violações dos direitos humanos, e pediu que sejam endereçadas ao país "profundas preocupações sobre a impunidade disseminada" de tais abusos.
Robinson pediu ao governo para tomar "medidas severas" a fim de pôr fim à atividade paramilitar, "incluindo o estabelecimento de novos órgãos apropriados, e a prisão, julgamento e punição daqueles que, por qualquer meio, participem de ou apóiem os grupos paramilitares".
Décadas de violência na Colômbia envolvendo tropas governamentais, cartéis da droga, guerrilha esquerdista e paramilitares direitistas criaram mais de 1,5 milhão de refugiados internos e mataram dezenas de milhares de pessoas.
O relatório de Robson informa que 1.836 pessoas morreram em massacres no ano passado, um aumento de 36 por cento em relação a 1998. Foram registrados 402 massacres, um acréscimo de cerca de 50 por cento.
O escritório dos direitos humanos "tem recebido informações indicando que membros das forças armadas participaram diretamente na organização de novos grupos paramilitares e na disseminação de ameaças", acrescentou.
O embaixador colombiano Camilo Reyes Rodriguez enfatizou "nossa determinação de combater (os paramilitares) de todas as formas possíveis, assim como a inequívoca decisão de remover do serviço e levar perante a justiça servidores públicos que são vinculados, de qualquer forma, a suas ações criminosas".
Robinson deplorou a continuidade do recrutamento pelos grupos guerrilheiros esquerdista do país de menores de 18 anos para o combate, mas aplaudiu uma iniciativa do governo de separar menores da hierarquia das forças armadas.
Robinson destacou o sofrimento dos refugiados internos da Colômbia.
A agência de refugiados da ONU calcula que a violência de grupos armados forçou o deslocamento de pelo menos 800 mil pessoas desde 1996. Quase todos permaneceram dentro da Colômbia.
Cerca de 123 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas apenas nos primeiros seis meses do ano passado, segundo ela.
Robinson disse que não foram suficientes a proteção e assistência dadas aos refugiados internos.

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