Massacre teve repercussão mundial
São Paulo, 22 (AE) - O massacre do Carandiru, como ficou conhecido o assassinato dos 111 presos do Pavilhão 9 da Casa de Detenção, em São Paulo, teve repercussão mundial como a maior matança de detentos do País. Às 15h30 de 2 de outubro de 1992, após uma briga entre presos, a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiu o pavilhão. Em menos de 30 minutos, a ação resultou num banho de sangue.
Além dos mortos, havia mais de cem feridos. Alguns detentos foram metralhados depois de se entregarem. Outros tiveram órgãos arrancados pelos cães. Às 21h30, no entanto, o então diretor do presídio, José Ismael Pedrosa, afirmou que havia oito mortos. Só no dia seguinte, quando houve eleições para a Prefeitura, o governo do Estado anunciou o total de mortos, meia hora antes do fechamento das urnas.
Na época, o governador era Luiz Antonio Fleury Filho, promotor e ex-tenente da PM. Ele negou ter autorizado a operação
mas defendeu a atuação da polícia. O episódio foi o maior desgaste de sua gestão e causou a demissão do secretário da Segurança, Pedro Franco de Campos, e do comandante da PM na região metropolitana, coronel Ubiratan Guimarães, que coordenou a invasão.
O caso forçou uma reforma nos métodos da PM paulista - acusada por entidades internacionais de violar permanentemente os direitos humanos.





