Agência EstadoImpunidadeManifestantes lembram o massacre no Carandiru: missa lembrou as vítimas da violênciaEntidades de direitos humanos tinham programado uma visita ao Pavilhão 9, da Casa de Detenção, ontem, dia do quinto aniversário do massacre de 111 presos. Até agora nenhum dos culpados pela chacina foi punido. Mas, por causa de uma tentativa de fuga, os detentos ficaram trancados em suas celas e a direção do presídio concordou que somente cinco representantes das entidades entrassem para percorrer os andares do Pavilhão 9.
Eles conversaram com os presos e depois seguiram para o Pavilhão 6 onde estavam outras autoridades. Com a presença de 300 detentos foi rezada missa pelos 111 mortos do massacre de 2 de outubro de 1992.
Segundo, o deputado Renato Simões (PT), um dos coordenadores do encontro, após a missa todos reuniram-se no portão principal da Casa de Detenção onde alguns dos presentes fizeram pesadas críticas à morosidade do processo que ‘‘se arrasta’’ por cinco anos. ‘‘Nosso objetivo foi o de alertar a população para que tenhamos o apoio de toda a sociedade e forçar a Justiça a julgar rapidamente os acusados da chacina do Carandiru que continuam impunes’’, explicou Simões.
OEA O procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Guimarães Marrey, informou ontem que a convite do Ministério da Justiça vai participar na próxima quarta-feira, em Washigton, nos Estados Unidos, da reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA) para falar sobre o processo do massacre do Carandiru. ‘‘Vou detalhar os esforços que o Ministério Público tem feito para apressar a conclusão do processo’’. O procurador afirmou que a investigação da polícia demorou seis meses.
Durante três anos o processo ficou na Justiça Militar. Outros 12 meses foram gastos para saber se a competência era da Justiça Comum ou Militar. Faz seis meses que o processo está no II Tribunal do Júri e atualmente os advogados de defesa preparam as alegações finais. ‘‘O processo tem 121 réus, mais de cem volumes, centenas de laudos e o nosso trabalho está concluído’’, salientou o procurador-geral.
Fuga Um grupo de presos tentou fugir na madrugada de ontem do Pavilhão 9, da Detenção. Os presos serraram as grades da cela no 1º andar, desceram por uma corda improvisada com cobertores e lençóis e chegaram ao pátio onde foram descobertos quando pretendiam alcançar a muralha.
Os envolvidos no plano de fuga, condenados por assaltos e homicídios, foram transferidos de pavilhão. As grades vinham sendo serradas desde o final de semana. Alguns presos já conseguiram fugir usando o mesmo método. Entre eles assaltantes de bancos e traficantes.

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