Moscou, 15 (AE-ANSA) - Enquanto as tropas da Rússia avançavam na capital da república separatista russa da Chechênia, Grozny, o presidente checheno, Aslan Maskhadov, mostrava-se hoje (15) disposto a buscar a paz "a quase qualquer preço", com a intermediação internacional.
Logo depois, porém, ele frisou que a "independência" do território não é negociável. "Eu não rejeito nenhuma proposta de diálogo político se ela puder apressar uma solução pacífica para esta crise", afirmou Maskhadov à agência russa Interfax.
O novo apelo do líder checheno foi rejeitado categoricamente pelo Kremlin, que desde o início da ofensiva russa contra a Chechênia, em 1º de outubro, não reconhece a legitimidade do governo de Maskhadov.
O ministro das Situações Emergenciais, Serguei Shoigu, encarregado de supervisionar a retirada dos moradores de Grozny, ressalvou que poderá reunir-se com o presidente checheno tão somente para falar sobre a ajuda aos civis. Shoigu reiterou que a Chechênia é um assunto interno da Rússia, razão pela qual está descartada a possibilidade de intermediação externa.
Em visita às vizinhas repúblicas russas do Daguestão e da Ingushétia, o presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o norueguês Knut Vollebaek, reafirmou que está pronto para dialogar com Maskhadov e servir de mediador do conflito. O Kremlin define a viagem de Vollebaek como de caráter humanitário e só o autorizou a ir às regiões chechenas sob ocupação russa - o que exclui Grozny e, em consequência, um encontro com Maskhadov.
Pelo segundo dia consecutivo, as forças russas travaram hoje combates com rebeldes em Grozny. Os guerrilheiros dizem ter rechaçado uma coluna de 30 blindados que se dirigia para o centro. A informação não foi confirmada por fontes independentes e contradiz as insistentes declarações de comandantes russos de que não têm planos de realizar um assalto contra a capital chechena.
"A liberação de Grozny deve ser questão de dias e a do restante do território, questão de semanas", disse hoje o vice-chefe do Estado- Maior russo, Valeri Manilov, em entrevista coletiva. Manilov garantiu que não haverá uma ofensiva em larga escala enquanto a cidade abrigar civis. Sua ênfase no interesse dos militares em proteger os moradores foi uma clara resposta às pressões do Ocidente sobre Moscou para que respeite os direitos humanos. O Estado-maior calcula que ainda haja de 8 mil a 30 mil civis na cidade.

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