Washington, 20 (AE) - Pelo menos 25 pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas nesta terça-feira (20) num ataque em uma escola num afluente subúrbio de Denver, Colorado.
Os autores do crime e as vítimas eram todos estudantes do colégio público Columbine, em Littleton, uma cidade de 35 mil habitantes.
Segundo testemunhas, a carnificina começou por volta de 11h30 (horário local), no intervalo para o almoço, quando a maioria dos 1.800 alunos estava nos corredores. Dois estudantes tiraram rifles debaixo das capas negras que vestiam e começaram a atirar.
"Primeiro, nós pensamos que fossem fogos de artifício", disse Justin Woods, um estudante. "Mas aí vimos os canos saindo das capas."
Robert Spin, um outro estudante, contou que os atacantes estavam vestidos de preto, usando capas também pretas e tinham máscaras de esqui. "Quando eles começaram a avançar pelo corredor, eu sai da escola e me escondi atrás de uns arbustos."
"Pensei que não eram tiros de verdade, mas aí vi sangue", disse uma estudante que se identificou apenas como Janine. "Eles atiravam rindo e jogavam granadas", relatou ela, com voz quebradiça e ainda sob o choque dos momentos de terror que acabara de viver. "Eu e meus colegas corremos até o meu carro e fomos embora."
Segundo alguns estudantes entrevistados pelas emissoras locais de televisão, o ataque aconteceu dentro e nos arredores da escola e pode ter demorado perto de 10 minutos, o tempo que levou para que chegasse o primeiro carro de polícia com as sirenes ligadas.
Um estudante do último ano disse que ele e alguns colegas refugiaram-se numa sala e 60 colegas mais novos numa outra sala pequena. Um outro contou que um dos atacantes deu vários tiros sobre o tampo de uma mesa debaixo da qual alguns estudantes escondiam-se.
Quatro horas depois dos primeiros tiros, equipes especiais da polícia local e do FBI ainda vasculhavam a escola em busca de explosivos e não se conhecia ainda a extensão da tragédia.
Se o número de mortos inicialmente dado pela polícia for confirmado, a matança de Littleton será não apenas o maior ataque armado por estudantes a uma escola nos Estados Unidios, uma modalidade de violência que se está tornando comum - fez 13 vítimas em seis episódios diferentes nos últimos 16 meses. Trata-se, também, do maior fuzilamento em massa da história do país.
Segundo o xerife da cidade, John Stone, os atacantes se mataram e seus corpos foram encontrados na biblioteca da escola. "Eles pareciam estar numa missão suicida." Um dos atiradores deixou uma bomba armada no porta-malas de seu carro, um BMW preto, no estacionamento da escola. A bomba foi detonada pela polícia horas depois do ataque.
Stone, que forneceu o número de mortos, não soube informar se havia professores e funcionários da escola entre as vítimas, cujos corpos devem permanecer horas dentro do prédio, até a polícia terminar a vistoria.
Segundo alguns estudantes, havia de oito a dez estudantes no colégio Columbine que andavam juntos, vestiam-se de preto e usavam capas pretas. "Eles eram conhecidos como a Máfia da Capa Preta", contou Josh Nielsen. Três membros do grupo foram presos perto da escola, depois do ataque, e levados para a delegacia para ser interrogados.
O estudante Jason Greer disse que os membros do pequeno grupo não se relacionavam com o resto da escola. "Eles eram realmente estranhos, mas nunca os vi fazendo nada violento." Sean Kelly, que se forma no mês que vem, disse que os integrantes da Máfia da Capa Preta eram conhecidos pelos colegas. "Eles eram considerados os párias na escola, eram as pessoas de quem você sabia que devia manter distância", disse Kelly. "Um deles tinha vários revólveres e rifles e o grupo todo gostava de armas
tanto que fizeram um vídeo mostrando suas armas num trabalho para a escola."
O presidente Bill Clinton deplorou a matança dos estudantes e anunciou que o governo federal dará toda a assistência necessária para se lidar com a tragédia. "As orações do povo americano estão com vocês", disse o presidente na sala de imprensa da Casa Branca, referindo-se às vítimas e aos sobreviventes do ataque. "Não sabemos ainda os porquês nem como se deu a tragédia", acrescentou. "Talvez agora a América desperte para o desafio que os jovens enfrentam em nossas escolas."
O desafio é o risco criado com a proliferação de pequenas armas nos EUA. Há no país perto de duas armas de fogo em circulação para cada adulto. Em contraste com os demais países industrializados, há poucas leis que limitam a compra e o porte de armas no país. Os adversários do controle do comércio de armas têm grande força política e controlam uma das maiores e mais ativas organizações de lobby do país, a Associação Nacional do Rifle. Depois de cada episódio de matança em escolas, os grupos antiarmas tentam uma ofensiva, sem sucesso.

mockup