São Paulo, 09 (AE) - A empresa norte-americana de cosméticos Mary Kay planeja contratar serviços de laboratórios de terceiros no Brasil e na Argentina para abastecer os mercados latino-americanos. "Vamos produzir na região ainda este ano", diz o presidente da empresa na América do Sul, Nelson de Moura Carvalho.
A intenção era fazer a mudança depois do ano 2000. A antecipação dos planos decorreu da alta do dólar, em janeiro, que elevou em 55% o custo do importado, embora os preços ao consumidor tenham aumentado só 8%.
A empresa está concluindo a cotação de preços em fábricas nos dois países, para decidir onde é mais vantajoso. No próximo ano, a intenção é produzir na região 40% da linha de cosméticos, em laboratórios brasileiros ou Argentinos. A importação da Argentina é bastante vantajosa, comparada à compra dos Estados Unidos. A carga tributária cai de 240% para 160%.
A empresa, líder, com 10%, do mercado norte-americano de maquiagens e outros produtos para a pele, está no Brasil desde junho de 98. O faturamento de US$ 3 milhões previsto para este ano no Brasil deve dobrar no ano 2000. O investimento até meados do próximo ano será de US$ 100 milhões.
Na Argentina, onde atua há 19 anos, o faturamento é de US$ 40 milhões por ano, com uma linha de 200 itens. A Mary Kay também atua no Chile há oito anos, com faturamento de US$ 2,5 milhões. No próximo ano, a empresa vai entrar na Venezuela e em 2001, no Peru. "Queremos usar cada vez mais a força do Brasil, o que não significa que a produção será concentrada aqui", diz Moura Carvalho.
Os 150 itens vendidos no País atualmente são importados dos Estados Unidos e somente a partir de agora alguns serão trazidos da Argentina, onde 30% da linha já é produzida em fábricas terceirizadas.
A Mary Kay vende seus produtos somente pelo sistema de venda direta, um mercado que movimentou US$ 3,7 bilhões no Brasil no ano passado. Entre os fabricantes nacionais, os maiores são Avon e Natura, que atua na mesma faixa de preços da Mary Kay. Disputam ainda o mercado brasileiro de venda direta as também norte-americanas Nu Skin e Jafra.

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