Nova York, 03 (AE-ANSA) - Marte é o planeta que o homem sempre considerou como fronteira celeste de seu universo, mais que a Lua, um satélite que é a residência dos sonhos, e Vênus, associado à luz das estrelas. Por isso a palavra marciano sempre foi sinônimo de extra-terrestre.
O objetivo da missão Mars Polar Lander, que aterrissa hoje em Marte, entra no âmago desta questão, tentando estabelecer se no planeta vermelho há ou houve água alguma vez, a base da vida como a conhecemos.
Não é ocasional que com esta missão às vésperas do terceiro milênio a Nasa, agência espacial norte-americana, lança seu programa para a primeira parte do século 21.
Astrologia e cultos à parte, a história do estudo de Marte começa no século 17, quando o italiano Gian Domenico Cassini e o holandês Christiaan Hyugens descrevem na Itália as primeiras estruturas observáveis da superfície e calculam o tempo de rotação do planeta.
No século 18, o inglês William Herschel apresentou a hipótese de o planeta vermelho ter atmosfera, crostas polares e estações com alternência semelhante às terrestres.
Em 1877, Giovanni Schiapparelli decifra as maiores estruturas marcianas, chamadas de canais e das quais fez um primeiro mapa detalhado.
Assim começaram as projeções do imaginário coletivo que no início do século passado o norte-americano Percival Lowell transformou em lenda. Lowell imaginou que os canais não são naturais mas artificiais, escavados por habitantes de um planeta coberto de vegetação vermelha, como seriam as plantas mais distantes do sol vistas a partir da Terra.
Apesar das críticas de seus colegas, Lowell cumpriu uma tarefa histórica e logo nasceu a lenda do planeta habitado por homenzinhos verdes, mais ou menos amigáveis e inteligentes. A lenda durou basicamente até 1965, quando a primeira sonda da Nasa, a Mariner 4, aproximou-se de Marte e fotografou um mundo desolado feito de desertos gelados e fendas de centenas de quilômetros - os canais, totalmente naturais.
Simultaneamente foi confirmado que Marte tem atmosfera 150 vezes mais rarefeita que a da Terra.
Em 1969, as Mariners 6 e 7 efetuaram os primeiros levantamentos da atmosfera, proporcionaram mapas detalhados - atualizados entre 1971 e 1972 pela Mariner 9 - e estabeleceram que a temperatura do solo está abaixo dos 100 graus centígrados.
Em 1976, a primeira sonda Vicking aterrissa sobre o pólo norte de Marte, fornecendo os primeiros dados sobre a composição da superfície, que em 1997 foi sulcada pelo Sojourner Rover, veículo desembarcado pela sonda Pathfinder.
A missão completou os conhecimentos sobre o planeta, permitindo programar a missão Mars Polar Lander e imaginar uma vez mais a colonização do planeta.

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