São Paulo, 22 (AE) - O PDT de Leonel Brizola virou a noiva cobiçada da eleição municipal paulistana. Nos últimos dias, as direções do PT e do PSB intensificaram as negociações com os pedetistas, na tentativa de obter apoio para suas respectivas candidatas à Prefeitura: Marta Suplicy e Luiza Erundina. Depois que Émerson Kapaz (PPS) retirou seu nome da disputa para aliar-se a Erundina, do PSB, a cúpula do PT decidiu fechar o cerco. Hoje mesmo, dirigentes petistas tiveram mais uma conversa com o deputado José Roberto Batochio, presidente do PDT de São Paulo.
"O principal dote dessa noiva é o tempo de televisão", afirmou o deputado Ricardo Berzoini, presidente do diretório municipal do PT, numa referência ao espaço do PDT no horário eleitoral gratuito, de 1 minuto e 57 segundos. Até agora, o PT de Marta tem como parceiro apenas o PC do B. A briga entre o PT e o PDT, no Rio de Janeiro, pode atrapalhar a formação de uma aliança mais ampla em São Paulo. O PT tem cargos no governo de Anhony Garotinho (PDT), mas está à beira do rompimento.
Cotado para candidato a vice-prefeito - tanto de Marta como de Erundina -, Batochio tenta minimizar o impacto do conflito no Rio sobre as negociações na capital paulista. "Não importamos crises e tenho autonomia de vôo", disse. Ele assegurou que, em dez dias, o PDT anunciará sua posição. "A noiva tem um dotezinho, vem conversando com dois pretendentes, mas, como os dois sabem, não tem ninguém traído nessa história", resumiu.
Em conversas reservadas, petistas avaliam que o PDT está querendo "valorizar o passe" depois que o cenário eleitoral em São Paulo tomou outro rumo. Primeiro foram as denúncias de corrupção feitas por Nicéa Pitta, que abalaram o malufismo. Depois, a subida de Erundina nas pesquisas, a desistência de Kapaz e o lançamento da candidatura do senador Romeu Tuma (PFL) à Prefeitura.
Apesar do quadro desfavorável aos tucanos, o governador Mário Covas garantiu que o PSDB não apoiará Erundina. Afirmando ter sido "mal-interpretado", Covas fez até um mea-culpa ao insistir em que seu candidato é o vice-governador Geraldo Alckmin, embora ele tenha só 2% das preferências. "Se perder as eleições, não será por culpa dele, pois só tem virtudes", disse. "A culpa será minha porque é o meu governo que está sendo testado."
Erundina está à espera da definição do PDT para concluir o acordo sobre o vice de sua chapa, cargo postulado por Kapaz. "Estou muito otimista em relação à aliança com o PDT", observou. No PMDB, tudo indica que o ex-governador Orestes Quércia entrará no páreo, embora o presidente da Câmara, Michel Temer, defenda o aval a Erundina.

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