Washington, 03 (AE-AP) - A Mars Polar Lander (MPL), que deveria pousar hoje (03) por volta das 18h15 (horário de Brasília) no solo de Marte, não havia enviado à central de controle na Terra, até as 19h24, nenhum sinal que indicasse o sucesso da missão.
De acordo com o plano original, a primeira comunicação deveria ter tido início às 18h39. Segundo técnicos da Nasa, mesmo uma pequena diferença na posição de aterrissagem da sonda poderia causar dificuldades de comunicação.
Se a antena do Lander foi danificada, a sonda pode usar o satélite Mars Global Surveyor como estação retransmissora.
A primeira "janela" de comunicação entre a sonda Mars Polar Lander e a Terra se encerrou às 19h24, sem que o Lander fizesse contato com a base. Novas "janelas" podem surgir ao longo da noite. A primeira comunicação das micro-sondas Deep Space 2, que acompanham o Lander, é esperada para a 1h25 da madrugada deste sábado.
Os Estados Unidos gastaram quase US$ 200 milhões na missão, prevista para durar 90 dias. Os cientistas da Nasa, em Pasadena, aguardavam ansiosos sons e imagens transmitidos do planeta vermelho. A última missão a Marte fracassou, com a destruição da sonda Mars Orbiter Climate há alguns meses.
A nave espacial não tripulada foi enviada a uma das áreas mais inóspitas e menos exploradas de Marte, um lugar tão frio que sua superfície é recoberta por gelo seco durante a maior parte do ano.
O processo de pouso, feito por meio de pára-quedas, aumentava ainda mais os riscos da missão, pois foi empregada uma técnica não testada.
Lançada em 3 de janeiro, a Mars Polar Lander estava programada para mergulhar na rarefeita atmosfera em busca de um ingrediente básico para a vida - a água -, perto do pólo sul do planeta vermelho. Apesar de ter apenas cerca de 1,7 metro de altura e 3 6 metros de largura, a pequena nave carregava muito peso.
Minutos antes do pouso da MPL, duas microssondas - integrantes do projeto Deep Space 2 - deveriam ser liberadas para chocar-se contra a superfície marciana a uma velocidade de 650 quilômetros por hora, alcançando uma profundidade de quase 1 metro.
As duas microssondas, que têm sensores e outros equipamentos para analisar a composição do terreno e detectar indícios de água, foram batizadas recentemente de Scott e Amundsen, em homenagem aos primeiros exploradores a chegar ao Pólo Sul da Terra.
Mais barato - Raras vezes funcionários da Nasa, a agência espacial norte-americana, precisaram tanto de uma experiência bem-sucedida. Depois de um erro matemático constrangedor arruinar a Mars Orbiter Climate, nave-irmã da MPL, em setembro, a abordagem da exploração espacial feita pela agência está, num certo sentido, em julgamento.
"Melhor, mais barato, mais rápido" passaram a ser os lemas da Nasa. Mas críticos dizem que ela está fazendo coisas demais, por um preço baixo demais e cometendo erros caros no processo.
Para a Mars Polar Lander, "ouro" significariam pistas preciosas sobre a possibilidade de Marte ter tido vida, que evoluiu na Terra a partir de água em abundância. Marte é muito frio e sua atmosfera é rarefeita demais para permitir que haja água em estado líquido em sua superfície atualmente, mas muitos cientistas acreditam que águas já fluíram por Marte e podem estar na forma de gelo na região do pólo sul marciano.
A nave pousou sobre um "terreno estratificado", onde camadas alternadas de poeira e gelo se sobrepuseram durante milhões de anos. Um braço robótico na nave deveria escavar o solo para retirar amostras que serão postas em um forno minúsculo, para determinar a porcentagem de água, enquanto equipamentos meteorológicos sofisticados recolherão amostras do ar.
Apesar de funcionários da agência espacial enfatizarem que a Mars Polar Lander não procurará diretamente sinais de vida, a análise do solo poderia revelar se Marte já foi um planeta mais quente, com rios e uma atmosfera mais parecida com a da Terra.
"A chave para entender a vida é entender a história da água"
disse Maria Zuber, professora de ciências planetárias do Massachusetts Institute of Technology (MIT), que trabalhou com a Nasa no mapeamento do hemisfério sul de Marte.

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