Brasília, 07 (AE) - O Banco Marka saiu da compensação e não tem mais conta de reserva bancária junto ao Banco Central desde o dia 29 de março. A informação é do departamento de Operações Bancárias do Banco Central (Deban). De acordo com os técnicos isso significa que o Marka deixou de ser um banco comercial, passando a ser cliente de outro banco. Na prática, mas não oficialmente, o Banco Marka deixou de ser uma instituição financeira para o Banco Central.
O fato de o Marka ter saído da compensação e não ter mais conta de reserva bancária não trará nenhum prejuízo aos seus clientes, garantiu a área técnica do BC. Se algum cliente ainda estiver operando com o Marka, seu cheque será compensado normalmente na conta do banco do qual o Marka é cliente. É este banco, de acordo com o BC, que debitará o valor pago diretamente na conta de depósitos à vista do Marka na instituição.
O departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC (Deorf), informou nesta quarta-feira (07) que o Banco Marka já adotou as providências necessárias para sair oficialmente do mercado. O Marka já realizou assembléia com seus acionistas para mudar o objeto social da instituição, ou seja, deixar de ser banco. De acordo com o Deorf, a saída oficial do Marka do mercado só poderá ser feita depois que a instituição honrar todos os compromissos com os seus clientes.
"O departamento de Fiscalização está monitorando os pagamentos aos credores do Marka e, assim que todas as operações forem vencidas, o banco deixará de existir", garantiu um técnico do Banco Central. O BC explicou que enquanto o Banco Marka tiver obrigações bancárias a cumprir ele permanecerá, oficialmente, como instituição financeira.
"A medida é uma garantia para o cliente, pois significa que o Marka continua sob vigilância do Banco Central", afirmou uma fonte do banco.
Em janeiro, um dia após o alargamento da banda cambial, o Banco Central assumiu as posições do Banco Marka na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), vendendo dólares mais barato do que o preço praticado no mercado à vista. Mesma coisa foi feita para o FonteCindam, que perdeu parte do seu patrimônio.
A aposta do Marka pela não desvalorização do real foi forte e comprometeu mais do que o patrimônio do banco. O BC então, optou por uma intervenção branca no Marka, o que significa tirar o banco do mercado com a garantia de pagamento aos credores sem, com isso, decretar a liquidação extrajudicial da instituição.
LUCRO- O Banco Central afirmou oficialmente, pela assessoria de imprensa, que é prematuro afirmar que o Marka apresentou lucro em fevereiro. Segundo o BC o banco ainda tem ativos a receber e passivos a pagar. "Só quando todo o ritual de pagamento for cumprido, ou seja, somente entre os meses de abril e maio, é que se vai ter uma visão completa da situação do Marka", garantiu a assessoria de imprensa do BC. De acordo com o BC em fevereiro "pode ter tido uma operação episódica", que está sendo verificada e acompanhada.
O lucro de R$ 18,3 milhões em fevereiro consta do balancete do Marka, disponível no Sistema de Informações do BC (Sisbacen). No acumulado de janeiro e fevereiro, o balancete do banco aponta um prejuízo de R$ 30,7 milhões. Uma fonte do BC afirmou que a explicação pode estar centrada no fato do Banco Central ter honrado as posições do Marka em janeiro. "Sem passivo para pagar, o que ficou no banco gera lucro", disse o técnico. O balancete divulgado no Sisbacen é fornecido pela própria instituição financeira.
CARTA - Somente no fim da tarde de hoje o Banco Central divulgou, oficialmente, a carta do superintendente geral da BM&F
Dorival Rodrigues Alves, ao presidente em exercício do Banco Central, Francisco Lopes, que já tinha sido antecipada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Na carta com data de 14 de janeiro, o superintendente da BM&F sugere ao BC "a adoção de medidas que visem a liquidação de posições vendidas, em face da rigidez dos mercados futuros e de opções de câmbio".
O superintendente da BM&F alegou, na carta, que a sugestão "tem por base a preocupação com relação a uma crise sistêmica que atingirá o mercado como um todo, caso não haja a adoção de mecanismos que possibilitem aos comitentes a reversão de suas posições". A existência da carta e o próprio pedido da BM&F para o BC agir tinha sido negada pela Bolsa.

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