Marka não explica envio de recursos so Exterior
Brasília, 14 (AE) - Passados três meses da venda de dólares para o Banco Marka, o Banco Central ainda não descobriu os detalhes da operação que envolveu uma remessa de recursos de um fundo administrado pelo Banco Stock Máxima, instituição que tinha investimentos do grupo Marka. O BC só confirmou que a remessa foi feita e que o dinheiro voltou ao Brasil pelo chamado anexo VI, os fundos de renda fixa para estrangeiros.
Segundo informações oficiais do BC, a remessa de recursos para as Bahamas foi feita de um fundo administrado pelo Banco Stock Máxima. O dinheiro, de acordo com o BC, pertencia a outro fundo. No caso, o Inovation Fund com sede naquele paraíso fiscal. Não foi divulgado, no entanto, o nome do banco estrangeiro que administra o Inovation.
O Marka Bank, instituição bancária criada nas Bahamas pelo ex-controlador do Marka, Salvatore Cacciola, tinha quotas do Inovation Fund que, por sua vez, era um cliente exclusivo do fundo administrado pelo Stock Máxima. O Banco Central não confirma qualquer valor da remessa ou a data em que a operação foi realizada. Mas admitiu que, a priori, não há indícios de ilegalidade.
Fontes do BC, entretanto, afirmaram que, até agora, não foi possível saber se os recursos enviados para o exterior foram destinados a pagamentos de credores, aos cotistas de fundos ou para o próprio Cacciola. Neste último caso, o temor é que os recursos remetidos ao exterior tenham sido financiados pelo próprio Banco Central que socorreu o Marka com a venda de dólares mais barato que a cotação do mercado quando da mudança da política cambial.
A alegação do Banco Central para não ter maiores informações sobre a operação é que as Bahamas são um paraíso fiscal com quem o Brasil não tem qualquer acordo. Por isso, seria impossível rastrear a remessa. Na tentativa de destrinchar todos os passos da operação, segundo as fontes, o BC está fazendo uma ampla checagem do balanço do Marka. E somente agora, verificando as possibilidades de pedir o bloqueio dos bens pessoais de Cacciola.
Ainda de acordo com estas fontes, para conseguir o bloqueio, o Banco Central terá que recorrer à Justiça. Somente com autorização de um juiz o BC poderá obter o bloqueio. "Teremos que provar a um juiz uma fraude grave, como um prejuízo a terceiros, para que ele possa nos dar uma decisão favorável", disse a fonte.





