Brasília, 07 (AE) - O Banco Marka já realizou assembléia com seus acionistas, exigida por lei, para mudar o objeto social da instituição, ou seja, deixar de ser banco. A informação foi dada hoje pelo Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf) do Banco Central. Segundo o Deorf, a saída oficial do Banco Marka do mercado só poderá ser feita depois que a instituição honrar todos os compromissos com os seus clientes.
"Estamos monitorando o pagamento dos credores do Marka e, assim que todas as operações forem vencidas, o Marka deixará de existir", garantiu um técnico do Banco Central. O BC explicou que enquanto o Banco Marka tiver obrigações bancárias a cumprir ele permanecerá como instituição financeira. "A medida é uma garantia para o cliente, pois significa que o Marka continua sob vigilância do Banco Central", disse uma fonte do banco.
Em janeiro, um dia após o alargamento da banda cambial, o Banco Central assumiu as posições do Banco Marka na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), vendendo dólar mais barato do que o preço adotado no mercado à vista. Mesma coisa foi feita para o FonteCindam, que perdeu parte do seu patrimônio. A aposta do Marka pela não desvalorização do real foi forte e comprometeu mais do que o patrimônio do banco. O BC então, optou por uma intervenção branca no Marka, o que significa tirar o banco do mercado com a garantia de pagamento aos credores sem, com isso, decretar a liquidação extrajudicial da instituição.
Carta - Somente hoje no fim da tarde o BC divulgou oficialmente a carta do superintendente-geral da BM&F, Dorival Rodrigues Alves, ao presidente em exercício do BC, Francisco Lopes. Na carta, com data de 14 de janeiro, Alves sugere ao BC "a adoção de medidas que visem a liquidação de posições vendidas, em face da rigidez dos mercados futuros e de opções de câmbio".
O superintendente da BM&F alegou na carta que a sugestão "tem por base a preocupação com relação a uma crise sistêmica que atingirá o mercado como um todo, caso não haja a adoção de mecanismos que possibilitem aos comitentes a reversão de suas posições". A existência da carta e o próprio pedido da BM&F para o BC agir tinha sido negada pela Bolsa.

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