São Paulo, 06 (AE) - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, disse hoje que caso o acordo de redução de impostos e preços dos veículos não seja renovado, os metalúrgicos farão greve nas montadoras e nas empresas de autopeças assim que for anunciada a primeira demissão. "Se tiver esta brincadeira de demissão, vamos ter guerra por aqui "
ameaçou.
Marinho reuniu hoje 15 mil empregados de montadoras e de indústrias de autopeças no Paço Municipal de São Bernardo do Campo. Durante o protesto, contra o aumento de preços dos veículos e pela renovação do acordo que preserva empregos, sindicalistas criticaram o governo e as montadoras, que segundo eles nada propõem para por fim ao crescente desemprego no País.
As fábricas da Volkswagen, da Ford e da Scania na região ficaram com a produção totalmente paralisada boa parte do dia. Os metalúrgicos do turno da manhã compareceram no horário habitual, fizeram assembléias, entraram nas empresas para tomar o café da manhã e saíram em passeatas que paralisaram pistas da Via Anchieta nos dois sentidos, além de várias ruas centrais da cidade.
Alguns fabricantes de autopeças também não tiveram um dia normal. Empregados da Metal Leve, Proema, Scorpios, Proxyon, Fibam e Cabomat decidiram deixar seus postos e acompanhar as manifestações.
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, adotou o mesmo tom de Marinho. Segundo ele, governo e empresários estão mostrando que não têm competência para apresentar alternativas para preservar empregos. "O sindicato já tentou de tudo em matéria de acordos, projetos e propostas", declarou. "Se depois de tudo isso as empresas demitirem, a história terá que ser outra." Para Lula, o "descaso" do presidente Fernando Henrique Cardoso - a quem chamou de "banana" - e das montadoras com a situação do trabalhador fará surgir "um novo grito de guerra no ABC".
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, afirmou que os metalúrgicos estão lutando por coisas que vão além de seu papel como categoria, como o controle da inflação, a redução de preços ao consumidor e o aumento de empregos em setores que vão da produção do aço ao comércio de veículos.
Amanhã, metalúrgicos da General Motors, em São Caetano do Sul, farão manifestação às 10 horas. Desta vez, o protesto será liderado pela Força Sindical. Os empregados deverão fechar a Avenida Goiás, uma das principais vias de trânsito da cidade.

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