São Paulo, 23 (AE) - O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, ameaça abandonar a proposta de acordo emergencial para estimular a venda de carros caso, até sexta-feira, o governo federal não aceite fechar o entendimento por adesão dos Estados. Por meio de adesão, seria eliminada a necessidade de a redução de impostos e, consequentemente, dos preços, ser submetida à unanimidade dos integrantes do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que decidiu hoje adiar a decisão sobre o acordo.
Marinho disse que conversou no final da tarde de ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem explicou que o acordo poderia ser fechado nos moldes do que aconteceu na câmara setorial de 1992, por adesão.
À época, a recusa dos governos do Rio de Janeiro, Piauí e Roraima em aceitar o entendimento levou o então governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho, a baixar decreto reduzindo o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos carros. Posteriormente, a decisão foi referendada na Assembléia Legislativa paulista. Na sequência, renúncia fiscal acabou sendo seguida pelos demais Estados.
Segundo Marinho, Fernando Henrique se mostrou disposto a aceitar o acordo por adesão. Mas o sindicalista estranhou que a reunião entre os representantes da indústria, governo e trabalhadores, inicialmente marcada para amanhã (24), tenha sido adiada para sexta-feira. O Confaz só voltará a analisar a questão no dia 2. "Estava escrito nas estrelas que o Confaz não aprovaria o acordo", disse Marinho.
Ele diz que já contava com a negativa de outros Estados, além de Minas Gerais. Segundo o sindicalista, a idéia é "perseguir o acordo na sexta-feira".
Caso a idéia da adesão por Estado não seja aprovada, o sindicato vai "buscar o povo nas ruas" como forma de evitar o desemprego. Marinho não sabia que entre os sete representantes de Estados que pediram tempo para pensar na renúncia do ICMS estão três governadores da oposição - Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
O acordo emergencial prevê a redução do IPI dos carros populares de 10% para 5%, e dos carros médios - de 25% e 30% - irá para 17%. As montadoras concederão um bônus de R$ 350 e de R$ 250, respectivamente para essas duas categorias de veículos; e os governos estaduais, por sua vez, se comprometeriam a reduzir o ICMS de 12% para 9%.
O acordo teria validade por 60 dias e o emprego na indústria será garantido por 90 dias. Com o acordo, será possível reduzir os preços dos automóveis entre 10% e 11%, na média.

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