A tecnologia foi desenvolvida pela Marinha em colaboração com o Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), seu vizinha na Cidade Universitária de São Paulo e o objetivo nada mais nada menos de construir o primeiro submarino nuclear de patente brasileira, tecnologia dominada apenas por Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia e China.
''O que a Marinha quer é um submarino nuclear. Para esse projeto teríamos que dominar o ciclo do combustível, porque não conseguiríamos importá-lo e nem nos venderiam a tecnologia'', explicou Arthou.
O Brasil investiu no projeto do submarino 1 bilhão de dólares em 20 anos, e vai precisar de outros 500 milhões e de 5 a 9 anos para seu primeiro protótipo. ''Com esse investimento desenvolvemos uma tecnologia de enriquecimento que ninguém vende, e a capacidade de projetar reatores nucleares'', lembrou o contra-almirante. ''O mercado internacional de reatores e combustível nuclear representa 100 bilhões de dólares por ano'', acrescentou.
O urânio enriquecido até 5% será destinado às centrais nucleares. A Marinha também produzirá urânio enriquecido em 20% para seu submarino e para o reator radiofarmacos (medicamentos processados com essa tecnologia) do Ipen.
Para produzir armamento nuclear essa concentração é superior a 90%. ''Eu diria que talvez o Brasil seja o único país a ter todo o domínio da tecnologia e optou por não ter arma nuclear'', disse o contra-almirante, ao ser perguntado sobre se o domínio dessa tecnologia pode gerar receio internacional. Ele lembrou que o Brasil assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e que a Constituição limita o uso de energia nuclear por fins pacíficos.
A fábrica de Rezende, no Rio de Janeiro, que produzirá o urânio enriquecido com os equipamentos da Marinha, estará em pleno rendimento em 2007, com investimento de 130 milhões de dólares, e cobrirá a metade das necessidades das duas centrais nucleares brasileiras, disse Roberto da Franca, presidente de Indústrias Nucleares Brasileiras (INB). Segundo ele, com outros quatro milhões poderia abastecer até uma terceira central e exportar.
Embora venha a economizar os 22 milhões de dólares que paga anualmente pelo urânio enriquecido, da Franca explicou que uma primeira fase do processo será importada, porque a nacional é cara. No entanto, a Marinha irá produzi-la para seu submarino.

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