O Exército e a Marinha vão reforçar o combate à dengue no Rio de Janeiro. Além de fornecer homens para acabar com os focos do mosquito, o Instituto de Biologia do Exército vai fazer testes de laboratório e um hospital da Marinha no Rio poderá criar leitos para atender vítimas da doença.
Essa foi a conclusão da primeira reunião entre técnicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e representantes do alto comando do Exército e da Marinha, ontem, no Rio. ‘‘Ainda não sabemos detalhes, que serão estabelecidos na próxima reunião, mas já ficou acertado que vamos fornecer recursos humanos e o trabalho do Instituto de Biologia do Exército e um hospital da Marinha’’, explicou o coronel Ivan Cosme, responsável pela Comunicação Social do Comando Militar do Leste.
O treinamento dos soldados só deve ocorrer depois da próxima reunião, marcada para sexta-feira. É só a partir daí que o efetivo de reforço do Exército e da Marinha poderá ir para a rua. Os militares farão o mesmo trabalho dos agentes da Funasa, com visitas aos domicílios para combater focos do mosquito.
A operação de emergência convocada pelo ministro quer reduzir a velocidade da epidemia no Rio. No Estado, já são mais de 25 mil casos - 9.264 na cidade - e pelo menos 11 pessoas já morreram.
Diagnóstico - As estatísticas do Estado e do município não mostram, mas muitas pessoas que morreram de infarto agudo nos últimos dois meses foram, na verdade, vítimas de dengue. O alerta é de especialistas, que explicam que o vírus da doença pode provocar distúrbios circulatórios, levando à falência de órgãos, entre eles o coração. ‘‘Para os médicos, o que importa é a causa objetiva da morte e, nesses casos, é o infarto. Assim, essas mortes acabam não sendo notificadas’’, diz o clínico geral Antônio Sérgio Fonseca, coordenador do centro de saúde da Fundação Oswaldo Cruz.
Para evitar o falso diagnóstico da dengue – muitos reclamam que a doença foi confundida com uma virose –, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro vai ministrar um curso e enviar folhetos a 50 mil médicos, explicando os sintomas da dengue, o tratamento e a prevenção.
Complexo B - A Roche, que vende anualmente US$ 2 milhões em produtos da linha do complexo B no Brasil, não recomenda o uso do medicamento por pessoas contaminadas pela dengue. ‘‘Não há nenhuma comprovação científica da eficácia desse medicamento na prevenção ou tratamento da dengue’’, diz a gerente do Departamento de Relações Médicas da Roche, Rita Castro, mesmo reconhecendo que o surto pode ter reflexo favorável nas vendas.
Muita gente acredita que o uso do medicamento de cheiro marcante afaste o mosquito transmissor da dengue, o Aedes Aegypti.
Já a Bayer comemora um aumento expressivo nas vendas das suas linhas de repelentes e inseticidas, especialmente nas regiões mais afetadas pela dengue, como o Estado do Rio. De acordo com o gerente da divisão de Repelentes e Inseticidas da Bayer, Humberto De Biase, na comparação com janeiro de 2001, as vendas de repelentes aumentaram 35% e de inseticidas 30%, sendo que no Rio este aumento chegou a 190% no caso dos repelentes.
A empresa, revela, normalmente vende em média três milhões de unidades de inseticidas, ‘‘mas em janeiro chegamos a vender 3,7 milhões’’

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