SOROCABA - A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) iniciará segunda-feira uma inspeção nas instalações do Centro Experimental Aramar (CEA) da Marinha, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo. O objetivo é verificar se está ocorrendo despejo de material radioativo no Ribeirão Ipanema, manancial que corta a região e passa dentro do Centro, conforme denúncia do vereador de Sorocaba Gabriel Bittencourt (PT).
Segundo o vereador, documento datado de 1992 comprova que foram feitos lançamentos de resíduos com até 0,573 miligramas de urânio por litro de água, quando a presença máxima tolerável de urânio na água é de 0,02 miligramas por litro.
O gerente regional da Cetesb, Antonio Augusto Rodrigues, disse que a inspeção se restringirá às instalações que produzem efluentes, como o setor de lavagem de peças do laboratório de enriquecimento de urânio do CEA. ‘‘Vamos coletar material para analisar os níveis de radioatividade’’, disse.
As águas do rio também serão analisadas para detectar eventual presença de urânio. Ele explicou que o valor de 0,02 miligramas por litro é o máximo permitido para o efluente já diluido na água. ‘‘A legislação brasileira não estabelece limites para a concentração de urânio no lançamento’’, disse.
Rodrigues informou que, se forem detectadas irregularidades, o CEA poderá ser autuado e será iniciado um processo administrativo. O órgão da Marinha já foi multado, em 1992, por ter sido co-responsável por um vazamento de óleo no Ribeirão Ipanema, quando um caminhão derramou acidentalmente o material.
A Marinha negou ontem, em nota, a contaminação do Ribeirão Ipanema com material radioativo. Segundo o serviço de relações públicas, todos os lançamentos de efluentes são monitorados de acordo com as normas ambientais.

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