Maringaenses se mantém à distância de protestos
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sábado, 13 de maio de 2006
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O grupo de 15 maringaenses que se mudou para o município de Vila de Rei, em Portugal, no início do mês, está se mantendo à distância dos protestos realizados por ativistas de extrema-direita contra a imigração de brasileiros. Ontem, o Partido Nacional Renovador (PNR), conhecido pelo nacionalismo exacerbado, realizou uma manifestação no Centro da pequena cidade de 5 mil habitantes. Os brasileiros permaneceram na freguesia (distrito) de São João do Pedro, onde estão morando, distante 12 km da sede do município. Imigrantes que conversaram ontem com a reportagem, por telefone, disseram que os protestos têm fundo político e são isolados. Segundo os relatos, os maringaenses continuam animados para construir uma nova vida na Europa.
''Isso não tem nada a ver com a gente e só está acontecendo porque nossa vinda repercutiu muito na imprensa. Já fomos entrevistados por rádios, jornais e programas de televisão em rede nacional. Nunca imaginei isso, foi uma exposição muito grande, eles nos acompanhavam até durante o almoço'', contou a jornalista Cecília Fraga, que se mudou para Vila de Rei com as duas filhas.
''No fim, acabamos virando boi de piranha para esse partido que é muito radical e parece os skinheads no Brasil. Em Portugal, tem mais de 500 mil brasileiros legalizados, você acha que 15 vão fazer diferença?'', questiona. Os maiores jornais portugueses, disponíveis na internet, confirmam a enorme cobertura recebida pelos maringaenses.
País responsável pela colonização de dezenas de nações da África, Ásia e América Latina, Portugal viu a própria curva da migração se inverter no século passado quando milhares de cidadãos começaram a deixar o país atrás de economias mais desenvolvidas. O resultado foi um envelhecimento contínuo da população e a escassez de mão-de-obra. De acordo com informações da imprensa portuguesa, quase 90% da população de Vila de Rei são idosos e a zona rural passa por um processo de desertificação em decorrência do baixo uso do solo.
Cecília conta que a maioria dos maringaenses deve trabalhar em restaurantes conforme prevê o convênio entre as prefeituras de Maringá e Vila de Rei. Nos próximos meses, mais 50 famílias maringaenses devem embarcar para Portugal.
O técnico em informática, Marcelo Duarte, que se mudou com a esposa e dois filhos, afirmou que a população local está sendo muito fraterna com os brasileiros. ''Quando a gente chega em casa, sempre tem um alface, uma batata, e outros produtos que eles deixam aqui.''
A prefeita de Vila de Rei, Irene Barata, esteve em Maringá na semana passada, mas não comentou a polêmica gerada pela imigração dos brasileiros.


