Maringá tem final da Copa de Refugiados
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domingo, 14 de julho de 2019
Isabela Fleischmann - Grupo Folha 
Maringá - No domingo (14) ensolarado no estádio Willie Davids, em Maringá (Noroeste), misturavam-se idiomas enquanto a bola rolava. Parecia Copa do Mundo e, de certa maneira, era: a final do Mundo Sem Fronteiras, a copa realizada pela AERM (Associação de Estrangeiros Residentes na Região de Maringá).
Angola, Guiné-Bissau, Haiti, Venezuela, Síria, Líbano: todos juntos pelo esporte. Gente que viu no Brasil uma oportunidade melhor de vida. A final foi disputada pela África e pela Europa. O terceiro lugar ficou entre a América e a Ásia.

De terno, o treinador da equipe África, Pierre Renald Daephinis, 33, conta que deixou sua família no Haiti para procurar emprego no Brasil. Conseguiu como operador em uma empresa de alimentação na cidade, mas o preço é uma jornada de trabalho maçante. “São muitas horas, é difícil”. Neste domingo, porém, Daephenis era somente o treinador, e da equipe finalista. “A estratégia é vencer”, disse.
Seis times participaram da primeira fase: Ásia, África, América, Antártida, Europa e Oceania. Mais do que competir, a ideia do torneio foi integrar e celebrar a amizade. E para unir culturas distintas, nada melhor do que o futebol. O torneio surgiu como comemoração ao dia do migrante e do refugiado - celebrado em 20 de junho. No final, África venceu a Europa por 2 a ) e foi a campeã. Em terceiro ficou a Ásia.
A associação existe há um ano e quatro meses. Mas neste domingo, conseguiu da prefeitura o título de utilidade pública, o que facilita convênios. Há 13 anos no Brasil, o presidente da AERM, Ronelson Furtado, 35, veio para Maringá para cursar direito na UEM (Universidade Estadual de Maringá).
“Não tem algo que cria mais integração do que o esporte. A maioria dos refugiados não tem tempo de confraternizar, a gente fez isso para poder se conhecer mais, conversar sobre o dia-a-dia e aproximar imigrantes, refugiados e brasileiros”, afirmou ele, que veio de Guiné Bissau.
Maringá tem cerca de três mil refugiados e seis mil estrangeiros em geral. Para o presidente, é preciso reconhecer que os migrantes estão na cidade. Mesmo com a ideia de confraternizar, teve gente que trouxe até champanhe para comemorar a vitória. “No próximo ano a ideia é juntar até outras cidades e fazer um evento maior”, disse.


