Maringá se mobiliza contra corte de água
Marcos Zanatta
De Maringá
O corte no fornecimento de água por causa do atraso no pagamento está mobilizando Maringá. Apesar da inadimplência não chegar a 2% dos quase 100 mil domicílios servidos, existe um projeto tramitando na Câmara de Vereadores e uma campanha contra o corte e principalmente a retirada dos medidores.
Meu projeto está parado na Comissão de Constituição e Justiça porque outros vereadores tem ciúmes, enquanto em municípios da região propostas baseadas no meu projeto já viraram lei, afirma o vereador Ulisses Maia (PSB). Ele cita o caso de Campo Mourão, Peabiru e Floresta, onde o corte de água está sendo debatido no Legislativo.
O projeto não é demagógico, apenas protege a população que não tem como pagar a conta, afirma Maia. Pela proposta dele, a Sanepar não poderá tirar o medidor por falta de pagamento e dará um prazo de 120 dias para o inadimplente que estiver desempregado. Muitos eleitores, segundo Maia, vão à Câmara todos os dias em busca de ajuda para pagar a água.
Ao invés de ficar quebrando um galho desse pessoal, decidi mudar a situação humilhante de quem tem a água cortada, afirma. Maia ressalta ainda que consultou o jurídico da Câmara, que concordou com a apresentação do projeto porque a água é uma concessão do município à Sanepar. Será necessário apenas um aditivo no contrato, esclarece.
Outra campanha contra o corte no fornecimento de água é do apresentador Márcio Mello, que tem um programa de denúncias na TV Independência (Rede Record). Recebia muitas denúncias de cortes da água de desempregados ou mesmo de famílias que passam por problemas financeiros causados por doença, justifica.
ara reforçar o projeto que tramita na Câmara, Mello está fazendo uma campanha popular, através de abaixo-assinado. Apenas em um final de semana recolhemos 800 assinaturas na Praça Raposo Tavares, revela. A meta é chegar a 5 mil adesões. Para isso, ele distribuiu folhas do abaixo assinado em igrejas e escolas da cidade.
O corte no fornecimento de água atinge principalmente os bairros mais carentes. A comerciante Eliete Lourenço de Lázari, que tem uma mercearia no Parque Itaipu, ficou sem água por alguns dias porque atrasou o pagamento em um mês. O pessoal ainda avisa que se não pagar em 20 dias retira o medidor. Ela pagou R$ 4,72 de taxa de religação.
A gerência da Sanepar em Maringá argumenta que sempre negocia com os inadimplentes e que não efetua o corte antes de 90 dias de atraso no pagamento da conta ou sem antes avisar o usuário. O gerente Fábio Queiroz explica que as famílias carentes já são beneficiadas com a tarifa social, que beneficia moradores de imóveis com até 60 metros quadrados e renda familiar de até dois salários mínimos. O consumo também não pode ultrapassar 10 mil litros por mês.





