Maringá quer produzir em alta escala
Curitiba- O Departamento de Farmácia e Farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) espera que o Ministério da Saúde divulge no próximo edital a rubrica para produção de fitoterápicos pela instituição. Com isso, poderá obter recursos para a construção do Laboratório de Desenvolvimento de Pesquisa e Produção de Fitoterápicos (Lafito), cujo projeto concluído, há oito anos, preenche todos os requisitos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produção em grande escala.
A UEM produziu, de 1998 a 2001, 69 mil unidades de gel de babosa, 166 mil de emugel de calêndula e 25 mil de xarope de guaco, que foram vendidos para os sistemas de saúde de Curitiba e Apucarana, principalmente. Para se ter uma idéia, na época, a pomada de calêndula (50 gramas) custava R$ 2,00, R$ 5,00 a menos do que uma pomada cicatrizante do mercado (10 gramas). ''Imagine a economia para os municípios. Só era possível porque os laboratórios das universidades têm custos de produção muito mais baixos que uma empresa privada'', explica a docente Mara Lane Cardoso, coordenadora do Lafito.
Em 2001, a Anvisa obrigou a universidade a adequar o espaço físico do laboratório para produção dos medicamentos. ''Iniciamos com a condição de laboratório que temos hoje, pequeno e de pesquisa. O programa fluía muito bem, tinha adesão dos médicos, dos pacientes e distribuía produtos de qualidade para o SUS. Tivemos pedidos do Mato Grosso e de Campinas (SP). Por isso elaboramos um projeto institucional para fazer as adequações e corremos atrás dos recursos para não deixar o programa morrer'', conta Cardoso.
O projeto foi enviado para o Ministério da Saúde, por três vezes, e ainda solicitado empréstimo à Secretaria de Estado de Ciências, Tecnologia e Ensino Superior. ''Não houve interesse do Estado. Nossa última tentativa foi no ano passado, quando fomos a Brasília e só precisávamos da liberação do recurso. Embora tivesse dinheiro, não tinha a rubrica própria para fitoterápicos'', lamenta ela.
A produção possibilitou retorno financeiro para UEM, que investiu os recursos na compra de equipamentos, e serviu como estágio para os acadêmicos de Farmácia. ''O trabalho das universidades no Paraná foi um marco da fitoterapia no Brasil. Hoje sabemos que o Rio de Janeiro e Campinas implantaram um programa sem interferências políticas e bem sustentado'', informa a docente. ''Lamentamos, todos os anos, que o nosso programa foi extinto, embora nosso Estado seja um dos maiores produtores de plantas medicinais'', diz Mara Lane Cardoso.(F.G.)





