Marcos Zanatta
De Maringá
A 3ª Copa Unimed Escolar, que começou quarta-feira e vai até o dia 26, reunindo 3,5 mil escolares de Maringá, é apenas um dos princípios do trabalho de base, que rende títulos nas principais competições do Paraná. Este ano Maringá conquistou o título geral dos Jogos da Juventude e ficou em segundo nos Jogos Abertos, que juntos reuniram mais de 10 mil atletas de todo o Estado.
A cidade compete exclusivamente com ‘‘pratas-da-casa’’, ao contrário de outras cidades que importam times inteiros para algumas competições. ‘‘A Copa Unimed é a nossa peneirada que sempre revela novos valores’’, diz o professor João Marin Mechia, secretário de Esportes de Maringá e um dos responsáveis pelo desempenho da cidade nas várias modalidades.
A copa reúne estudantes de todas as escolas da cidade, públicas e privadas, em 12 modalidades, divididas por duas categorias de idade. O diretor da Secretaria de Esportes, Valmir Augusto Fassina, explica que o trabalho de base começa sempre nas escolas.
Mas foi preciso dar continuidade através de competições para revelar os atletas em condições de destaque. ‘‘E competições não faltam em Maringᒒ, garante. Só no final de semana passada a cidade sediou um campeonato brasileiro infanto-juvenil de vôlei feminino, o paranaense de Tae-kwon-do, o brasileiro de malha, o paranaense de futebol de salão feminino e uma corrida pedestre. Fora, segundo Fassina, as equipes de handebol de Maringá que participavam de várias competições e do futebol de salão na Chave Ouro do Paranaense em Foz do Iguaçu.
‘‘São competições que fortalecem a modalidade e dão continuidade ao trabalho realizado pelos professores e treinadores’’, explica. A realização de campeonatos, ou mesmo jogos amistosos com times de nível, ajuda também na outra ponta, segurando os atletas de nível que foram formados nas canchas e campos da cidade. Fassina lembra que há muitos anos Maringá não ‘‘importa’’ nenhum atleta. ‘‘Pelo contrário, alguns de nossas revelações são convidados a deixar a cidade para equipes nacionais’’. Ele cita o caso do goleiro Alexandre, do handebol, que hoje joga no São Caetano do Sul.
Mas a realidade é outra. ‘‘A prefeitura não tem como segurar nem financiar tantas modalidades, e conta com a ajuda da iniciativa privada e principalmente dos clubes’’, explica o diretor. Através de uma lei de incentivo, as empresas dão ajuda aos times, o que torna a equipe competitiva e segura o atleta.
Existe ainda, segundo Fassina, o crescimento pessoal do atleta da casa, que tem a família e estuda na cidade, o que facilita a permanência. ‘‘Ao contrário dos atletas contratados, que não tem ligação nenhuma com a cidade para a qual compete, e por isso na primeira oportunidade se muda’’, lembra. Ele compara que o valor do contrato de uma equipe, em qualquer modalidade, dá para fazer um bom trabalho de base.
A mesma realidade não é vivida pelos municípios que contratam times para ‘‘prestar serviços’’ em algumas competições. Os atletas formados em Maringá tem família na cidade, e dificilmente vão embora porque tem uma vida na cidade. ‘‘O apoio do outro lado a gente tenta dar de alguma forma’’, assegura Fassina. Ele garante ainda que o resultado do trabalho de base está apenas começando. ‘‘Nos próximos dois, três ou quatro anos Maringá será imbatível em alguns campeonatos. Principalmente porque nas outras cidades não existe um trabalho de base continuado’’, afirma.

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