Santiago, 10 (AE-ANSA) - Gladys Marín é, aos 62 anos, a primeira candidata comunista à presidência na longa história do partido e, segundo pesquisas, pode roubar uma porção de votos necessária à aliança de centro-esquerda para vencer com comodidade domingo.
O Partido Comunista do Chile (PC), principal força da esquerda extraparlamentar, sempre apoiou outros candidatos, como Salvador Allende ou os ex-presidentes radicais Pedro Aguirre Cerda, Juan Antonio Ríos e Gabriel González Videla. Em 1993, respaldou a candidatura independente do sacerdote Eugenio Pizarro, que obteve 4,7% dos votos.
Hoje, Marín, professora e secretária-geral do partido, tenta conseguir 8% da preferência dos eleitores, transformando seu partido na terceira força política do país e tendo a possibilidade de ajudar o socialista Ricardo Lagos, candidato govenista, em um eventual segundo turno.
Marín acusa a "Concertación" governante de prolongar o modelo econômico e político implantado pela ditadura de Augusto Pinochet e rechaça a acusação de que seus votos evitarão o triunfo de Lagos no primeiro turno. "Por que nós temos que parar Lavín (Joaquín, candidato da direita) quando a Concertación é a única responsável pelo crescimento da direita"
perguntou.
Ela acrescentou que a coalizão "permitiu o surgimento de um candidato como Lavín, homem absolutamente de direita, do pinochetismo, do Opus Dei, mas que é capaz de falar dos problemas do povo. E agora a Concertación nos pede para pará-lo. É o mesmo quadro de 89 e isso quer dizer que não avançamos em nada".
Ela garantiu que em um eventual segundo turno não entrará em acordo com a "Concertación", pois "temos um programa no qual dizemos ser uma força alternativa ao neoliberalismo e que são necessárias transformações profundas no Chile".
Marín, destacada por sua coerência tanto por admiradores quanto por opositores, entrou muito jovem para a vida política. Nos anos 70, chegou a ser secretária-geral das Juventude Comunistas.
Deputada em três períodos, após o golpe militar teve de asilar-se na embaixada da Holanda e exilar-se. No exílio, soube da prisão, em 1977, de seu marido, o engenheiro Jorge Muñoz, quem até hoje figura na lista de detidos desaparecidos.
Por seu sequestro e desaparecimento, Marín apresentou em janeiro de 1998 a primeira acusação contra Pinochet, o que permitiu abrir processo no Chile. Regressou ao país clandestinamente em 1978, em plena ditadura, e trabalhou para reorganizar o PC e outras forças que lutavam contra o regime.
Outros três candidatos se destacam na disputa pela presidência do Chile. São eles:
Sara Larraín, professora de 47 anos, fundadora do Greenpeace Chile. Ela conta com 1% da preferência do eleitorado.
Tomás Hirsch, engenheiro civil de 44 anos que se dedica à publicidade, afirma que em 12 anos chegará ao poder com uma proposta "verde-humanista". Segundo as pesquisas, obterá 0,7% dos votos.
Arturo Frei, independente de 60 anos e ex-democrata-cristão, afirma ter sido inspirado por Augusto Pinochet, durante uma visita ao ex-ditador em Londres, para concorrer à presidência.

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