Marighella trocou a engenharia pela militância política
Marighella trocou
a engenharia pela
militância política
Agência EstadoCarlos Marighella foi um dos principais líderes da luta armada e foi morto pelo Dops aos 58 anosCarlos Marighella nasceu em Salvador, na Bahia, no dia 5 de dezembro de 1911. Foi estudante de Engenharia Civil, conhecido por responder às provas de cálculos em versos, como um poema. Não completou o curso, optando pela militância política. Era filho de um operário italiano e de uma negra. Como militante do Partido Comunista do Brasil (PCB), mudou-se para São Paulo, com a finalidade de editar a revista Problemas. -
Ele foi preso pela primeira vez em 1932 e passou dez anos na cadeia, entre a ilha de Fernando de Noronha e a Ilha Grande. Durante o Estado Novo, sofreu pesadas torturas. Marighella foi eleito deputado pela Assembléia Constituinte, em 1946, e cassado em novembro de 1947 pelo discurso inflamado contra o governo do general Eurico Gaspar Dutra. Após anos atuando clandestinamente começou a se desentender com o partido, acusando-o de burocrático. Em 1966, demitiu-se da comissão executiva por não suportar as inúmeras reuniões improdutivas do partido.
Marighella mostrou seu total desacordo com o método de agir do PCB, quando participou da Conferência Latino-Americana de Solidariedade, centro da revolução cubana para a América Latina. Voltou de Cuba afirmando que a estratégia da revolução era a guerrilha. O partido desaprovou a idéia da luta armada e o expulsou no final de 1967.
A partir daí, formou com os dissidentes do partido o Agrupamento Comunista de São Paulo, que foi chamado depois de Aliança Libertadora Nacional (ALN). Carlos Marighella está sepultado em Salvador. Na lápide criada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, foi colocada a inscrição: Não tive tempo para ter medo.





