Marialva- Desde o mês de março a comarca de Marialva (17 km a leste de Maringá) vive uma situação extremamente complicada: não há cadeia pública para os presos da cidade e também de Itambé, município que faz parte da comarca. Depois que a mulher presa por tráfico - que permanecia acorrentada na porta da carceragem- foi transferida para Astorga, por pressão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a delegacia de Marialva continua mantendo cinco presos numa sala com cerca de seis metros quadrados. O local não possui estrutura para alojar os detentos.
A delegada da cidade, Elza da Silva, disse que não sabe o que fazer a cada preso que chega na unidade. ''Não temos como soltá-los. Têm que ficar ali, do jeito que estão. Todos numa sala improvisada que é onde fazíamos a triagem, não tem banheiro nem nada'', comentou. Entre eles há presos acusados de roubo, tráfico de drogas e estupro. Apesar do aperto, a delegada garante que eles ''se dão bem''. ''Tem um deles que passa o dia inteiro cantando. Pela manhã, pedimos ajuda da Polícia Militar que leva um por um até o banheiro dos policiais para tomar banho ou quando precisam usar o banheiro'', explicou.
A promotora de Justiça de Marialva, Maria Aparecida Moreli Pangoni, ingressou com uma ação civil pública pedindo a remoção dos presos e dando um prazo de seis meses para a reforma da cadeia da cidade, que está interditada para obras. A Justiça concedeu liminar há 20 dias mas o governador Roberto Requião ainda não foi oficiado. ''A liminar da juiza de Marialva estipulou uma multa de R$ 5 mil por preso caso não seja cumprida as determinações'', disse a promotora.
Ainda segundo a promotora, a situação de Marialva vem se agravando desde agosto de 2007 quando a delegacia foi interditada para reforma e até hoje não teve as obras concluídas. Desde então, os presos estão sendo mantidos numa sala improvisada em outro endereço onde a delegacia está funcionando temporariamente. ''Desde aquela época, os presos estavam sendo encaminhados para Maringá mas, em março, o juiz da Vara de Execuções Penais daquela cidade proibiu o recebimento de presos de quaisquer outra comarca e desde então Marialva enfrenta esse problema'', disse.
Ontem o chefe da divisão policial do interior, Luiz Cartaxo, afirmou à FOLHA que o delegado de Maringá e outras autoridades agendariam uma reunião com o juiz da VEP para que os cinco presos fossem levados para lá. ''Já as obras da delegacia, estão em processo licitatório e tão logo inicie a reforma já começará a funcionar'', disse.

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