Agência Folha
De São Paulo
A pedagoga Maria Rita Simões Braga, de 38 anos, foi enterrada ontem às 16h30 no cemitério municipal da Vila Mariana, em São Paulo. Mulher do cantor Roberto Carlos, ela tinha câncer e morreu anteontem às 23 horas, no Hospital Israelita Albert Einstein, onde estava internada desde 24 de novembro. Segundo a Guarda Civil Metropolitana, entre mil e duas mil pessoas acompanharam o enterro, inclusive o próprio cantor e seu parceiro Erasmo Carlos.
Desde as 6 horas de ontem, o corpo foi velado no hospital Albert Einstein, onde só foi visto por parentes, amigos, artistas e políticos, como Hebe Camargo, Chitãozinho e Xororó, Chico Anysio, Tom Cavalcante, Ronnie Von, Wanderléa, Paulo Maluf e Celso Pitta.
Roberto permaneceu o tempo todo ao lado do corpo da mulher, com quem se casou há três anos e meio. Segundo Sérgio Daniel Simon, médico de Maria Rita, o cantor estava ao lado dela no momento da morte. A apresentadora Hebe Camargo contou que Roberto não dormiu nos últimos dias, ‘‘para aproveitar os momentos em que ela podia conversar’’. Devido à doença da mulher, Roberto Carlos cancelou shows e o especial de fim-de-ano da Globo, programa que realiza há 25 anos.
Durante o velório, houve pelo menos dois momentos em que Roberto chorou ao cantar a música ‘‘Nossa Senhora’’, que teria dedicado a Maria Rita. O primeiro foi às 11 horas, quando o padre cantor Antonio Maria rezou um terço, seguido da música. Depois, às 14 horas, quando foi celebrada a missa de corpo presente.
Roberto chegou ao cemitério da Vila Mariana pouco depois das 16 horas. Foi aplaudido por centenas de fãs. Dentre os artistas presentes ao velório, apenas Erasmo Carlos e os padres cantores Jorjão e Antônio Maria compareceram.
Roberto passou cerca de dez minutos ao lado do caixão. O pequeno espaço em frente à sepultura e o grande número de parentes e amigos fizeram o cantor voltar para o carro. Centenas de fãs se retiraram do cemitério, mas, minutos depois, Roberto voltou e orou ao lado do caixão. Foi embora às 16h40.
Maria Rita descobriu que tinha câncer, inicialmente no útero, em setembro do ano passado. A pedagoga foi tratada no Rio, pelo médico Jorge Resende. O médico tentou retirar o tumor, mas não conseguiu porque já estava muito grande – do tamanho de um mamão papaia, segundo Simon. Quando Maria Rita passou a se tratar no Albert Einstein, ainda no ano passado, o tumor já tinha atingido os gânglios do útero e os paramétrios (tecidos que dão sustentação ao útero).
Após pequena cirurgia para desobstruir as vias urinárias, Maria Rita passou por tratamentos de quimioterapia e de radioterapia. Em abril, apesar de não ter desaparecido, o tumor estava reduzida à metade. Em setembro, apareceram novos tumores na região do pescoço e no mediastino (entre os pulmões e a coluna vertebral). A pedagoga fez outra radioterapia na coluna e, em outubro, se submeteu a uma hormonoterapia nos EUA.
Em novembro, Maria Rita teve convulsões e os médicos descobriram tumores no cérebro. Há uma semana, o quadro dela era dado como irreversível.Mulher de Roberto Carlos não resistiu ao câncer e morreu anteontem no Hospital Albert Einstein, onde ficou internada por quase 2 meses
Agência EstadoFÉ E ESPERANÇAMaria Rita e Roberto Carlos durante a visita do Papa ao Brasil em 1997Agência EstadoRoberto Carlos se emocionou durante enterro da mulher ontem

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