São Paulo, 29 (AE) - A vereadora de São Paulo Maria Helena (PL) vai de responder a processo por formação de quadrilha, coação e peculato . A juíza Cynthia Torres Cristofaro
da 8ª Vara Criminal, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual (MPE) no início do ano. No mesmo despacho, foi aceita a denúncia contra outras dez pessoas, entre elas o chefe de gabinete de Maria Helena na Câmara Municipal, Oswaldo João Quintino da Silva, o estelionatário Fabiano Leite de Sá Lima e o filho da vereadora, Paulo Neme.
Maria Helena terá de responder por acusações de apropriação indébita de parte dos salários dos funcionários de seu gabinete. Por formação de quadrilha, já que foi acusada de comandar um esquema de irregularidades na Câmara Municipal e na Administração Regional da Freguesia do à. Não foi divulgado o crime de coação pelo qual a parlamentar terá de responder.
Parte das acusações do MPE contra as pessoas relacionadas na denúncia foram rejeitadas pela Justiça, por falta de elementos que justificassem um processo criminal. A juíza não aceitou, por exemplo, a acusação de que a vereadora se apropriou de carros da empresa Vega Ambiental para uso próprio. A empresa cedia os carros para fiscalização do serviço de limpeza da Administração Regional da Freguesia do à, controlada politicamente pela vereadora.
A parlamentar também responderá pela suspeita de ter coagido testemunhas no episódio envolvendo o vereador Salim Curiati Júnior (PPB), no ano passado. A vereadora é suspeita de ter participado de uma armação contra o vereador, junto com o estelionatário Fabiano Lima.
A denúncia foi apresentada pelo MPE no dia 3 de janeiro deste ano. No texto, os promotores apresentaram o resultado das investigações feitas pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaecco) e pela Polícia Civil.
Vitória - O advogado de Maria Helena no caso, Antonio Scarance Fernandes, afirmou que a decisão da Justiça não deixa de ser uma vitória para a defesa, já que parte das denúncias oferecidas pelo MPE foram rejeitadas. "Desde o início achamos que havia um exagero de acusações por parte do Ministério Público", afirmou Scarance.
Scarance lembrou que o fato de a denúncia ter sido aceita pela Justiça não quer dizer que a parlamentar cometeu os crimes. "A juíza entendeu que as denúncias tinham alguma base e será a oportunidade do Ministério Público sustentar suas acusações", disse o advogado.
O outro advogado de Maria Helena, Laertes Torrens, não sabe se ela comparecerá ao depoimento marcado pela comissão processante que a investiga, na Câmara Municipal. O depoimento está marcado para sexta-feira (03), às 9 horas. A defesa acha a data complicada, por ser véspera de carnaval.