São Paulo, 03 (AE) - A acareação hoje entre a vereadora de São Paulo Maria Helena (suspensa do PL) e Fabiano Leite de Sá Lima foi marcada pelo confronto de informações. Durante toda a acareação, na comissão processante que analisa as denúncias contra a parlamentar, a vereadora afirmou que o rapaz mentiu. Lima sustentou todas as denúncias contra a parlamentar, acusada de quebra de decoro parlamentar.
No ano passado, Lima foi preso em flagrante ao tentar extorquir dinheiro do vereador Salim Curiati Júnior (PPB). Na ocasião, ele tentou vender uma fita em que duas ex-funcionárias da Câmara Municipal teriam planejado um atentado contra Curiati. Na polícia, Lima disse que Maria Helena mandou que ele pedisse dinheiro para o pepebista.
A acareação foi solicitada sábado (01) pelo advogado de Maria Helena, Laertes Torrens, após o depoimento de Lima à comissão. No depoimento, ele confirmou as acusações que havia feito contra a parlamentar. Entre elas, a que Maria Helena teve participação na tentativa de extorsão contra Curiati e que os dois tiveram um relacionamento amoroso por cerca de seis meses.
Admite - Um dos pontos que chamou a atenção da comissão processante foi quando a vereadora admitiu que pagou R$ 500,00 para que Lima resgatasse uma fita em que as duas ex-assessoras da Câmara Municipal estariam planejando um atentado contra o vereador Curiati. A fita teria sido guardada em um guarda-volumes no Aeroporto de Cumbica. Para a comissão, isso pode comprovar o envolvimento da vereadora na tentativa de extorsão, o que deve caracterizar quebra do decoro parlamentar.
Cada vez que Lima reiterava as acusações, Maria Helena respondia que ele estava mentindo e que os dois tiveram um único contato, no dia da gravação da fita com as duas ex-assessoras. Lima afirmou que os dois tiveram vários encontros amorosos, alguns em motéis e na Praça Pôr do Sol, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo.
"Ele é um mentiroso, um crápula e um canalha", disse a vereadora, que solicitou a abertura de dois inquéritos policiais contra Lima, por calúnia e falso testemunho. Um dos inquéritos diz respeito à acusação de que o filho da vereadora, Paulo Neme, teria forjado um flagrante contra Lima para que ele retirasse as acusações feitas contra a vereadora, no ano passado. Lima afirmou que foi torturado para que dissesse que foi coagido a depor contra a vereadora por delegados e promotores que investigaram a máfia dos fiscais e que estaria disposto a "contar toda a verdade".
No fim da acareação, Lima afirmou que iria à Polícia Federal prestar queixa contra Maria Helena e Paulo Neme. Ele também afirmou que a imprensa o persegue ao chamá-lo de estelionatário, pois "já pagou tudo que deve à Justiça". Lima esteve preso durante mais de três anos por estelionato.
A vereadora afirmou que Lima está sendo orientado por alguém, possivelmente inimigos seus, para que faça todas as acusações contra ela. Maria Helena também afirmou que espera um julgamento sério e justo por parte da comissão processante. "Não vou servir de bandeira para moralizar a Câmara de São Paulo."

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