Maria Helena falta a depoimento na Câmara; vereadora quer ser ouvida após todas as testemunhas
Maria Helena falta a depoimento na Câmara; vereadora quer ser ouvida após todas as testemunhas3/Mar, 15:32 Por Marcus Lopes São Paulo, 03 (AE) - A vereadora Maria Helena (PL) não compareceu hoje, novamente, para prestar depoimento na comissão processante que analisa as denúncias contra ela, na Câmara Municipal. Foi a segunda vez que a vereadora faltou a um depoimento marcado na Casa para defender-se das acusações de quebra de decoro parlamentar. Na primeira convocação, feita na semana passada, Maria Helena apresentou um atestado médico para justificar a falta. Em uma carta enviada aos membros da comissão, a parlamentar alegou que quer ser ouvida apenas depois dos depoimentos das testemunhas de defesa e acusação no processo. Segundo a carta, enviada à Câmara ontem à noite, a vereadora pretende falar apenas no momento oportuno, pois não deseja "assistir pacificamente o meu linchamento moral com difamações, menosprezo e maledicências". A atitude, segundo ela, não é uma forma de retardar o andamento dos trabalhos da comissão. O advogado da vereadora, Laertes Torrens, esteve hoje na Câmara. Após uma reunião fechada, que durou duas horas, os membros da comissão decidiram marcar um novo depoimento, no dia 13, às 13 horas. No mesmo dia, serão ouvidas as testemunhas de acusação no processo. O prazo não será prorrogado. Caso a vereadora não compareça novamente na data marcada, ela poderá ser ouvida até o fim do período de instrução - prazo da comissão para coleta de provas e todos os depoimentos. O período de instrução pode variar de acordo com o andamento dos trabalhos. A decisão da comissão em conceder todo o período de instrução para a defesa foi encarada como uma vitória da parlamentar. É que, na prática, ela pode marcar seu depoimento após todas as testemunhas terem sido ouvidas e preparar melhor seu depoimento. "Não é uma vitória da defesa e sim da Justiça", disse o advogado Torrens, no fim da sessão. Segundo ele, a defesa não pretende entrar na Justiça para garantir que sua cliente seja ouvida em uma etapa posterior. "Não há nenhum conflito de interesses, pois eles admitem a hipótese da vereadora ser ouvida após as testemunhas" disse Torrens. O advogado afirmou que irá acompanhar todos os depoimentos. Os membros da comissão também não admitiram uma possível vitória da defesa. "Ao marcar uma data definitiva para ouvir a vereadora e as testemunhas, impedimos que o processo fosse adiado mais uma vez", disse o vereador José Mentor (PT), lembrando que os trabalhos irão continuar normalmente após a semana do carnaval. Denúncia - Torrens questionou o trabalho da comissão ao lembrar que a Justiça recusou parte das denúncias oferecidas pelo Ministério Público Estadual (MPE). Uma das acusações rejeitadas foi a de que a vereadora teria participado de uma armação contra o vereador Salim Curiati Júnior (PPB), no ano passado. Maria Helena foi acusada ter mandado o estelionatário Fabiano Leite de Sá Lima tentar extorquir dinheiro do vereador. No caso, Lima tentaria vender uma fita em que duas funcionárias da Câmara estariam planejando um atentado contra Curiati. O episódio é um dos fatos que estão sendo analisados pela comissão processante. Segundo Mentor, a decisão da Justiça não interfere no julgamento da vereadora. "A Justiça analisa sob o ponto de vista criminal, enquanto nós apuramos se isso configura a quebra de decoro parlamentar", explicou.





