Maria Helena deverá comparecer perante Comissão Processante amanhã16/Mar, 22:29 Por Glaucia Leal São Paulo, 16 (AE) - A vereadora Maria Helena deverá comparecer amanhã, às 10h, perante a Comissão Processante que investiga denúncias de irregularidades em sua gestão. De acordo com o advogado de defesa, Laertes de Macedo Torrens, ela deve depor. "A vereadora vai contar a sua verdade nessa história", afirmou. "Ela está tranquila, não tem o que temer", garantiu. Durante as sessões em que foram ouvidas testemunhas de acusação, Maria Helena não esteve presente. Em uma carta enviada ao presidente da comissão, vereador Paulo Frange, ela justificou-se dizendo que não queria ser acusada de constranger os depoentes com sua presença. De acordo com Frange, ela poderá participar da sessão amanhã sem que seja ouvida, se assim o desejar. Segundo ele, a vereadora deverá permanecer no fundo do plenário. "Até o fim dos trabalhos de instrução ela poderá depor", comentou. Estavam convocados para a sessão da noite de hoje seis testemunhas. Apenas duas compareceram: a cunhada de Maria Helena mulher de seu irmão Odair Pereira, Cidália Moraes Pereira, e a filha, Beatriz, sobrinha da vereadora. Ambas foram funcionárias do gabinete de Maria Helena durante dois anos e meio, desde o início de 1997. Elas confirmaram que devolviam parte dos salários que recebiam. Quando denúncias de corrupção passaram noticiadas pelos jornais, começou a haver discordâncias entre a vereadora e os parentes. Por causa disso, Maria Helena teria tentado esfaquear Cidália em seu sítio, em Joanópolis. "Fomos usados como bodes expiatórios, ela tentou jogar a culpa no meu marido", afirmou Cidália. Ela disse ainda que Maria Helena chegou a ter 10 parentes, entre irmãos, sobrinhos e ela própria, em seu gabinete. Beatriz Moraes Pereira confirmou que Felismina Andreozzi e Eugenia Garcia, também parente da vereadora, devolviam os salários, em torno de R$ 5 mil, ficando apenas com R$ 150,00 "como um agrado". Beatriz garantiu que elas só compareciam à Câmara para receber o pagamento. "No começo a vereadora dizia que o dinheiro devolvido era para pagar o salário das pessoas não comissionadas, que éramos uma grande família", comentou Cidália. "Depois, vimos que ela estava usando o dinheiro, comprando carros e deixando seu sítio cada vez mais bonito." A irmã de Maria Helena, Ignez Pereira Andreozzi não compareceu à Câmara, mas enviou uma carta alegando estar fora da cidade. Ela afirmou nunca ter sido forçada a devolver o salário e disse ter se afastado do gabinete por problemas de saúde. Segundo Ignez, o cheque em branco, assinado por ela, encontrado na frasqueira de Maria Helena destinava-se à compra de uma máquina de costura. Para amanhã estão convocadas 10 testemunhas de defesa, entre elas um padre identificado apenas como Tomazzo. De acordo com estimativa do presidente da comissão, Paulo Frange, os trabalhos devem terminar até a segunda semana de abril, antes do prazo limite, no dia 1º de maio.

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