Maria Helena, 28 anos, redescobre suas origens
Maria Helena, 28 anos,
redescobre suas origens
Descendente da tribo Pataxó, da Bahia, Maria Helena Galvani, 28 anos, havia perdido contato com suas origens até ir morar em Guaíra e conhecer a escola de artesanato indígena. Na primeira peça, ela demonstrou habilidade para trabalhar com o barro. Começou fazendo peças grandes, mais difíceis de serem moldadas. Parece que o artesanto em cerâmica está no sangue dela, comenta a coordenadora da escola, Ana Minel.
A vida de Maria Helena está marcada pela tragédia. Aos dois anos de idade perdeu a mãe, a índia Pataxó Fidelina. Aos 10, viu o pai, o baiano José Barbosa, ser massacrado pelos índios. Separou-se da irmã gêmea e criou-se sozinha no mundo. A irmã Nídia foi adotada por uma família e Maria Helena ficou num orfanato até os 12 anos. Fugiu porque a maltratavam muito e passou a morar em casas de família, onde trabalhava de babá ou empregada doméstica. Viajando de carona, deixou a Bahia e foi parar em Mundo Novo (MS), cidade vizinha a Guaíra para onde se mudou há oito anos.
Segundo Helena, seus pais se casaram numa aldeia Pataxó. Ela nasceu em Tacurú, no interior baiano. A mãe teria morrido de sarampo. Depois da morte de Fidelina, o pai foi morar com as filhas gêmeas numa localidade conhecida como Fazenda Tajê. Lá, comprou um terreno e começou a construir uma casa. Helena conta que a terra pertencia aos índios, o pai não sabia e os índios mataram ele. A menina de 10 anos viu o pai ser morto e mutilado pelos índios. Ela não se recorda qual tribo, mas não era Pataxó.
Casada há quatro anos com o operário Isaias Ferreira, Maria Helena diz que em Guaíra conseguiu formar sua própria família e está redescobrindo suas origens. Conta que já foi alvo de muito preconceito e chegou a sentir vergonha de ser uma descendente indígena. Agora estou descobrindo muita coisa boa sobre a cultura do meu povo e me sinto orgulhosa dele, afirma.
Antes de entrar para a escolhinha de artesanato, ela vivia isolada em casa. Não saía para nada. Agora, não perde uma aula do curso e já aprendeu a fazer todos os tipos de artesanato e utensílios indígenas.
Quando as 31 tribos indígenas chegarem em Guaíra para os 2º Jogos Indígenas, Maria Helena quer conhecer as tribos e vai procurar parentes entre os Pataxó. Os Pataxó ficaram conhecidos nacionalmente em 1997 quando um membro da tribo, Galdino de Jesus, foi queimado vivo em Brasília por quatro rapazes de classe média. Não sei se vou encontrar alguém ligado à minha família, nem sei como vão me receber, mas estou ansiosa, diz. (V.M.)





