Maria Dorcelina dizia ter driblado a 'máfia da fronteira'
Da Redação
Maria Dorcelina Folador foi a primeira prefeita do País eleita com o apoio do MST e a primeira mulher a administrar Mundo Novo, município de 17 mil habitantes, na divisa com o Paraná, fronteira com Paraguai.
Em entrevista concedida à Folha de Londrina/Folha do Paraná, em visita a Londrina em outubro de 97, ela disse que sua experiência de nove anos no MST, quatro deles como repórter popular, a fez driblar o que ela chamava de máfia da fronteira, ao disputar a eleição com políticos tradicionais.
Dorcelina não se intimidou com as ameaças de ex-políticos experientes que queriam voltar ao poder e tentaram fragilizar sua campanha eleitoral. Até hoje eles não se conformam que uma mulher, sem-terra e portadora de deficiência, venceu as eleições, disse ela na ocasião.
A campanha de Dorcelina para a prefeitura mudou a rotina de sua casa. Ela teve de mandar a filha mais velha para Assis Chateaubriand, Oeste do Paraná, durante toda a campanha eleitoral, para poupá-la de ataques.
A menina ficou na casa da irmã de Dorcelina. Já sua outra filha, hoje com quatro anos, passou o período de campanha vigiada por companheiros do MST. Temia pela integridade da minha família, contou.
Pelo PT, ela disputou as eleições para vereador em 88 e 92, e para deputado estadual em 94. Em 96 concorreu para as eleições municipais sendo eleita com 46% dos votos para a Prefeitura de Mundo Novo.
Dorcelina foi a primeira mulher portadora de deficiência física e oriunda do MST a governar um município no Brasil. Ela foi artesã, artista plástica e escritora, coordenou a Frente Nacional dos Parlamentares e Executivos Portadores de Deficiências e era a 4ª vice-presidente da Associação Brasileira de Prefeitos.





