Presidente Prudente (SP) - O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) invadiu quatro fazendas no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo) em menos de seis dias no que está sendo chamado de ‘‘março quente’’, um prenúncio do ‘‘abril vermelho’’, onda de invasões que o movimento promoveu no ano passado em todo o país.
  Só no final de semana foram duas ações: fazendas Brasília, em Santo Anastácio, com 300 pessoas (conforme número do próprio movimento), e Tupiconã, em Presidente Epitácio, com 150 integrantes. As outras propriedades que já estavam invadidas ficam em Teodoro Sampaio: Beira-Rio (cem sem-terra) e Santo Expedito, com 150 manifestantes (essa, porém, a Polícia Militar da cidade não confirmou). Outros 300 sem-terra ligados ao MST, segundo a Polícia Militar, entraram na fazenda Água das Antas, em Paraguaçu Paulista. Apesar de não ser localizada no Pontal, a ocupação tem a coordenação da regional.
  A onda de ocupações faz parte da ‘‘antecipação’’ do ‘‘abril vermelho’’, anunciada por José Rainha Júnior no dia 2, para o jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’. O líder do movimento do Pontal havia dito que a invasão da Beira-Rio foi ‘‘a largada’’ para o ‘‘abril vermelho’’, mês marcado por invasões do MST para lembrar a morte de 19 sem-terra num confronto com a PM de Eldorado do Carajás, em 1996, no Pará.
  ‘‘Não vamos esperar o abril vermelho, vamos para a mobilização’’, afirmou Rainha. Ele acusou também de ser ‘‘lenta’’ a reforma agrária em São Paulo.
  O secretário estadual de Justiça, Alexandre de Moraes, responsável pela condução da questão no Estado, disse, por meio de sua assessoria, que não comentaria as declarações de Rainha, que batizou a as ações de ‘‘março quente’’.
  Os sem-terra retornaram à Fazenda Tupiconã onze dias depois de terem desocupado a área por determinação judicial. De acordo com o proprietário, o pecuarista João Coelho Jr., a fazenda foi invadida 12 vezes. ‘‘Não importa se é a décima-segunda ou vigésima. Voltaremos a ocupá-la quantas vezes for necessário’’, disse o coordenador regional Edi Ronan Ribeiro.

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