Márcio Scherer é preso em São Leopoldo
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Ayrton Centeno Agência Estado 
O modelo Márcio Scherer, suspeito do assassinato do empresário paraense João Sabóia, em Nova York, foi detido ontem no final da tarde quando saía de sua casa, em São Leopoldo (RS). O advogado de Scherer, Ivan Vieira, disse que vai recorrer da decisão da 20ª Vara Criminal do Rio, que decretou a prisão temporária.Vou avaliar o despacho do juiz e tentar impugnar a decisão, informou.
Com a prisão de Scherer seu casamento, marcado para amanhã, em São Leopoldo, será adiado. O modelo casaria no civil, com a comerciária Cristina Oliveira Asp, de 28 anos, que namora há 12 anos. A prisão foi efetuada por policiais do 1º DP, de São Leopoldo.
No dia 6 deste mês o juiz federal substituto Marcelo Krás Borges, da 3ª Vara Criminal de Porto Alegre, definiu que caberia à Justiça carioca julgar Scherer. Ele argumentou que a responsabilidade seria da Justiça Federal, caso o País tivesse firmado algum tratado internacional para repressão ao latrocínio - Scherer teria assassinado Sabóia e furtado cerca de US$ 25 mil, além de objetos da vítima. Mas não há esta convenção. Os autos do processo foram remetidos à Justiça carioca com base no artigo 88 do Código Penal, que estabelece:No processo por crimes praticados fora do território brasileiro será competente o juízo da capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Também foram enviados recibos de pagamento de aluguel que comprovam que Scherer morou no Rio entre janeiro e fevereiro deste ano.
Há no inquérito policial bem fundamentadas razões para
crermos que o indiciado Márcio Scherer esteja envolvido na autoria do bárbaro crime, além do que tratou de mudar de residência, de cidade e de Estado assim que retornou da viagem fatídica, diz o juiz Orlando de Almeida Secco no despacho. De acordo com a avaliação de Secco, a antecipação do retorno do modelo ao Brasil logo após o assassinato do empresário, demonstra fortes indícios de sua participação no crime.
O juiz acrescenta que o desaparecimento de 25 mil dólares, dois relógios - um Rolex e outro Piaget - ,um anel de ouro com rubi, corrente de ouro, o passaporte e a passagem do empresário da suíte onde a vítima estava hospedada torna as suspeitas direcionadas não mais para o homicídio, mas para um provável latrocínio - roubo seguido de morte. A prisão temporária do modelo poderá ser prorrogada por mais 30 dias.


