Porto Alegre - Uma tentativa de invasão de um prédio por punks, impedida sem confrontos pela Brigada Militar no início da noite, quebrou o ambiente festivo que inicialmente marcou a marcha de abertura do 2º Fórum Social Mundial pelo centro da capital gaúcha, no fim da tarde e início da noite de ontem.
O incidente foi, até o início da noite, o único que envolveu integrantes da passeata – pelo menos cerca de 50 mil pessoas que, num ambiente entre carnavalesco e circense, empunhavam faixas e cartazes escritos em português, espanhol, inglês e italiano, liderados por uma comissão de frente em que iam, entre outros, o governador Olívio Dutra (PT), em trajes típicos gaúchos, e o ex-presidente socialista de Portugal Mário Soares.
O incidente ocorreu no meio do caminho, quando um grupo de cerca de 80 punks e anarquistas se destacou da manifestação e montou uma barricada com pneus e pedaços de madeira na esquina das ruas Duque de Caxias e Marechal Floriano, perto da Avenida Borges de Medeiros, onde ocorria a caminhada pacífica. Também tentaram invadir uma casa abandonada no mesmo local, mas foram impedidos pela Brigada Militar. Os policiais isolaram a área e a retirada ocorreu sem conflito.
Os policiais também reforçaram a segurança na Rua da Praia por temerem que os ativistas atacassem uma loja do McDonald’s. Antes do incidente, o ambiente no ato era de calma. Vestidos de negro, cor do anarquismo, e ocultando o rosto com lenços e até máscaras contras gases, desde cedo os punks se misturaram a comunistas do PC do B, militantes do PSB, petistas e pacifistas de várias partes do mundo.
Soldados da Brigada Militar, a pé e a cavalo, acompanharam o ato. Os punks e anarquistas batucaram e cantaram, mas foi só.
Um primeiro momento de alguma tensão ocorreu quando um carro de som, com ativistas do Acampamento da Juventude, entrou em meio à multidão, na Avenida Borges de Medeiros, onde as pessoas se concentravam. Uma oradora, postada no alto da carroceria do veículo, pediu a ‘‘compreensão dos companheiros do outro carro’’ (onde estavam adeptos do anarquismo) e anunciou discursos de integrantes da CUT e dos partidos políticos.
Numa tentativa de confraternização, perguntou, misturando espanhol e português: ‘‘Cadê los argentinos? Cadê los paraguaios?’’ Foi mal-recebida.‘‘O povo unido/governa sem partido’’, gritaram alguns anarquistas. Mas os discursos acabaram acontecendo, sem problemas.
Espalhada pela Avenida Borges de Medeiros por cerca de 20 quarteirões, a manifestação acabou se ‘‘quebrando’’ em várias, comandadas por diferentes grupos.
Na frente, atrás do primeiro carro de som e de um grupo da organização camponesa internacional Via Campesina, ia a ‘‘comissão de frente’’. Ao lado de Dutra e Soares, seguiam o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional da legenda, José Dirceu, o prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, e o presidente da Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (Cives), Oded Grajew, entre outros. A avaliação de 50 mil participantes foi da Brigada Militar. Os organizadores disseram que havia 60 mil pessoas.

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