Cristalina, GO 29 (AE) - Os manifestantes da Marcha Popular pelo Brasil, que realizarão protesto em frente do Banco Central (BC) no dia 7, em Brasília, receberam ajuda dos governadores de três Estados, incluindo um aliado do governo, para realizar a caminhada de mais de 1.200 quilômetros entre o Rio e o Distrito Federal.
A marcha saiu do Rio em 26 de julho e, amanhã (30), será realizado ato público em Cristalina (GO), a 100 quilômetros de Brasília.
Segundo o principal coordenador da Marcha pelo Brasil, Ivo Ribeiro de ávila, o governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), distribuiu marmitas para todos os militantes, no percurso dentro do Estado. Quando a marcha entrou em Minas Gerais, disse ávila, o governador Itamar Franco (PMDB) emprestou aos manifestantes 72 barracas da Defesa Civil, feitas com teto de lona verde e astes de alumínio. Os manifestantes prometeram devolver as barracas ao fim da marcha.
Mas foi o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), aliado político do presidente Fernando Henrique Cardoso, quem deu maior apoio à marcha.
Segundo ávila, Perillo disponibilizou duas ambulâncias, doou mais de 200 cestas básicas para os manifestantes e ainda pôs um carro-pipa à disposição da marcha. O carro-pipa, que pertence à companhia de água do Estado, a Saneago, leva água para os manifestantes várias vezes ao dia.
A marcha é composta por vários movimentos sociais, entre eles a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais (ANMTR), Movimento dos Atingidos por Barragens, Central dos Movimentos Populares (CMP), representantes de desempregados, sem-teto e indígenas e pastorais sociais da Igreja. Segundo os organizadores, estão participando do movimento mil manifestantes. A marcha reivindica a suspensão do pagamento da dívida externa, ampliação da reforma agrária, redução da taxa de juros, aumento do salário mínimo e rompimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No dia 7, a Marcha pretende realizar uma manifestação contra o acordo firmado entre Brasil e FMI, em frente do prédio do BC. No dia 8, os manifestantes pretendem formalizar um "projeto popular" para o Brasil, com soluções nas áreas da economia e política. Os manifestantes não defendem o impeachment de Fernando Henrique e nem querem audiência com o governo. A marcha quer mudar a política econômica. O manifestante mais idoso é Luiz Bertrame de Castro, que, no dia 10, completa 91 anos. Ele mora com a família no assentamento de Promissão, no interior de São Paulo, e está na marcha desde o início. Castro participou da marcha de 1997 e acha que, neste período, o Brasil piorou.
"O presidente Fernando Henrique ainda não cumpriu as promessas que fez na campanha", disse.
A mais jovem da marcha é a estudante Stéfanie Luzia Aparecida Brassero, de 12 anos, que mora com a família num assentamento em Londrina (PR). Stéfanie, que nunca tinha viajado para fora da cidade onde mora, disse estar impressionada com com o País que está conhecendo na marcha. "O Brasil é rico, mas não sabe explorar as riquezas", disse ela, "Há muita gente pobre."
O ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, disse que o governo federal não vai anunciar novas medidas para recepcionar a marcha.
Jungmann afirmou que o recurso da marcha está esgotado. "Marcha todo dia já cansou", banalizou o ministro.

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