Marcha Popular contra privatizações começou hoje
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 26 (AE) - Começou hoje, com uma manifestação em frente à Petrobrás e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Centro do Rio, a Marcha Popular pelo Brasil, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) .O ato reuniu cerca de 2 mil pessoas, a maioria sem-terra e sindicalistas. A marcha, que vai passar por 120 cidades em 15 Estados, deve chegar a Brasília na primeira semana de outubro.
De acordo com o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, a idéia da caminhada pelo Brasil é mobilizar a população para discutir a crise econômica e maneiras de fazer oposição à privatização de estatais. Foram selecionados mil integrantes do MST que vão percorrer cerca de 1.500 quilômetros, 20 por dia, segundo a coordenação do MST. No Rio, além dos sem-terra, participaram do início da marcha índios caingangue, de uma reserva indígena de Santa Catarina, e integrantes do movimento anarquista.
De acordo com o índio Darci Rodrigues a presença na marcha é importante para chamar a atenção para o problema agrário enfrentado pelos indígenas. "Nós não conseguimos a demarcação, pelo governo federal, das nossas terras", disse Rodrigues, da aldeia Condá. "Queremos a demarcação de 3,3 mil hectares."
Sendero - Stédile disse hoje que a denúncia de que há infiltração do grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso no MST é uma "paranóia da direita". "O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu que isso não existe", afirmou Stédile durante a manifestação no Rio. Ele negou que o MST vá se transformar em um partido político.
"O presidente Fernando Henrique, num momento de realismo durante uma audiência com o Fórum Nacional de Reforma Agrária, reconheceu que as reivindicações do MST são justas, mas que a reforma agrária está parada, assim como os programas para educação e saúde, porque o Brasil enfrenta uma das piores crises econômicas", disse Stédile.
Petrobrás - Ele defendeu um plebiscito para que a população diga se é favorável à venda da Petrobrás. Ela não está no cronograma de privatização do governo federal, segundo o presidente Fernando Henrique. O que está prevista é a venda, provavelmente no primeiro semestre do próximo ano, de 34% de ações da Petrobrás que excedem o controle acionário da União.
Stédile ironizou a proposta de criação de um imposto de combate à pobreza defendida pelo presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). "ACM foi duas vezes governador da Bahia e o povo de lá é um dos mais pobres do País", disse o dirigente. Segundo ele, a idéia do senador não passa de "demagogia".


