Marcha passa por barreira da PM e entra na Fazenda Rio Novo
Marcos Zanatta
Uma marcha com cerca de 150 sem-terra conseguiu passar ontem pela barreira policial e levar alimentos, colchões e lonas para o acampamento da fazenda Rio Novo, em Querência do Norte (113 quilômetros de Paranavaí). A área foi reocupada no último sábado por cerca de 150 sem-terra, e apenas anteontem os acampados receberam um lote de alimentos. Ontem pela manhã, a Polícia Militar impediu a passagem de leite para o acampamento, onde segundo os coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), há mais de 300 crianças.
A marcha saiu do acampamento montado na praça central da cidade no meio da tarde. A Polícia Militar fechou a estrada na saída da área urbana com cerca de 50 policiais e nove viaturas. Os sem-terra marchavam, dizendo palavras de ordem, na direção da PM, quando o major José Rigoni Filho, subcomandante do 8º Batalhão de Paranavaí, pediu para negociar. A ordem da Secretaria de Segurança, segundo Rigoni, era de permitir a passagem apenas de alimentos e remédios. O material para montar acampamento não pode passar, ordenou.
Durante a negociação duas viaturas tentaram passar pela marcha. Os sem-terra tentaram impedir. Um dos caminhões do MST bateu em uma das viaturas, que foi arrastada para fora da estrada. O incidente criou um clima de tumulto, com sem-terra e policiais tentando se agredir. Acalmados, os dois lados voltaram a negociar. Um dos coordenadores do MST na região, Edilson Peixoto, avisou o major Rigoni que se o caminhão fosse impedido de passar, os sem-terra levariam tudo nas costas.
Aos poucos, a marcha foi passando pela barreira. O caminhão acompanhou por alguns metros e em seguida os sem-terra voltaram a colocar todo material na carroceria. Nós conseguimos passar, mas o que fizeram foi uma falta de respeito, disse Peixoto à Folha. No acampamento os sem-terra fecharam a estrada de acesso, impedindo a movimentação da polícia. Os sem-terra que estão na Fazenda Rio Novo dizem que estão dormindo sem colchão e coberta.
As crianças estão doentes até por falta de comida, disse João de Souza, um dos acampados. O advogado do MST em Querência, Avanilson Alves Araújo, que ia em direção ao acampamento junto com dois sem-terra, foi parado na barreira e teve o carro apreendido. Ele disse à Folha que foi ameaçado de morte pelo tenente Gerson Zagui, da 3ª Companhia de Pato Branco. Ele já me agrediu no sábado, a PM está vigiando minha casa e agora ele me ameaçou.





