Cerca de 800 trabalhadores rurais sem-terra de várias regiões do Estado partiram ontem de Ponta Grossa, por volta das 15 horas, numa marcha com destino a Curitiba, onde pretendem chegar na próxima terça-feira. O comando da caminhada calcula que sejam feitos, em média, 15 quilômetros por dia.
O líder sindical Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), esteve na cidade para mostrar solidariedade ao movimento. O grupo partiu de frente do presídio Hildebrando de Souza, onde estão seis líderes do movimento, detidos durante desocupações em Querência do Norte.
Na manifestação marcada para a próxima semana, na capital, os sem-terra vão pedir o fim imediato das desocupações, a libertação dos 41 líderes do movimento presos no Estado e que o governo estadual abra negociações para uma política de reforma agrária.
Pela manhã, os sem-terra fizeram uma manifestação em frente ao presídio, ‘‘contra a prisão dos líderes do MST e contra a maneira com que o governo Jaime Lerner vem conduzindo a questão agrária’’.
Vicentinho chegou a Ponta Grossa no final da tarde, quando a marcha já havia partido. O sindicalista disse que manifestava sua solidariedade ao MST paranaense, ao mesmo tempo em que acusava o governador Jaime Lerner de cometer ‘‘gestos de fariseu’’.
Para Vicentinho, os fatos ocorridos no Paraná ‘‘não são mostrados com transparência’’. Segundo ele, ‘‘para obter recursos internacionais e fazer as obras mostradas pela propaganda oficial, o Estado deve viver em condições de democracia e respeito aos direitos humanos’’.
Presos - Luiz Alonso Sales, um dos líderes do movimento, disse que o governo ‘‘mente quando afirma que as desocupações que vem executando são feitas de forma pacífica’’. Ele citou o caso de Valdecir Bordion, detido em Ponta Grossa, que, no momento de sua prisão, em Querência do Norte, teria sido torturado: ‘‘Ele teve sua cabeça esfregada em esterco de gado, além de ser espancado e sofrer ameaça de estupro com um pedaço de cana-de-açúcar.’’
Segundo Renato Furstenberger, da Pastoral Carcerária de Ponta Grossa, os sem-terra detidos no presídio Hildebrando de Souza estão recebendo tratamento de presos comuns. ‘‘Não se verificou qualquer tipo de agressão, apesar de estarem alojados em um corredor do presídio, superlotado’’, disse ele. Com capacidade para 80 detentos, o ‘‘Cadeião do Santa Maria’’, como é conhecido, abriga 180 presos.César FerrariVicentinho, presidente da CUT: ‘‘Falta transparência aos atos do governo’’Neomil Macedo
Especial para a Folha

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