Marcha lembra mortos de Carajás
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Agência Folha 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizará uma programação intensa pelo País, a partir de hoje, para lembrar o massacre de 19 sem-terra, em Eldorado do Carajás, sul do Pará, ocorrido no dia 17 de abril de 1996. A coordenação do movimento espera reunir hoje cerca de três mil pessoas em um acampamento na Praça da Leitura, próximo à rodoviária de Belém (PA). Amanhã, assentados e sem-terra do Sul do Estado farão um ato ecumênico na curva do S, em Eldorado do Carajás, local onde os sem-terra morreram durante conflito com a Polícia Militar.
Será inaugurado um espaço memorial, com uma escultura do artista plástico irlandês Dan Baron, que está na região há um mês. No Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo), o MST vai cobrar hoje, durante o ato, uma audiência com o ministro Pedro Malan (Fazenda) ou Pedro Parente (Orçamento e Gestão) para reivindicar dinheiro para reforma agrária.
Três colunas de sem-terra se encontram hoje em Presidente Prudente depois de marcharem de pontos distintos do Pontal do Paranapanema. Não queremos mais falar com o Jungmann (ministro da Política Fundiária). Queremos o Malan ou o Parente. Eles é que têm o dinheiro. Eles é que cortam nosso orçamento, disse Valmir Chaves, dirigente estadual do MST. Segundo ele, seis mil famílias de 73 assentamentos da região precisam de R$ 40 milhões para investimentos em infra-estrutura e custeio da safra deste ano.
A programação prevê a chegada, às 10 horas, no centro da cidade, de cerca de 1.500 sem-terra que estão em marcha. A primeira coluna saiu na terça-feira de Presidente Bernardes. A última saiu ontem de Rancharia. Na Bahia, por determinação do governador César Borges (PFL-BA), o governo distribuiu quatro cobertores, 300 latas de sopa (cada lata diluída em água dá 35 pratos) e remédios para os integrantes do MST que devem fazer uma manifestação hoje à tarde em Salvador.
Os trabalhadores rurais iniciaram a marcha até a capital baiana no último fim de semana, em Feira de Santana (108 km de Salvador). Em troca do auxílio do governo baiano, os integrantes do MST prometeram fazer uma manifestação pacífica em Salvador.
A ajuda chegou na hora certa. Encontramos muitas dificuldades para fazer a caminhada, disse o coordenador do MST na Bahia, Valmir Assunção. Segundo informações do movimento, cerca de quatro mil pessoas deverão participar das manifestações.


