BELO HORIZONTE - Os cerca de 400 sem-terra de Minas, Bahia, Espírito Santo e Rio que integram a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, iniciada anteontem em todo o País, caminharam ontem por 30 quilômetros, durante todo o dia, entre Governador Valadares (MG), de onde partiram, e um posto, às margens da BR-381, no distrito de Rio Corrente. Segundo o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Juraci Portes, os manifestantes montariam acampamento no posto até a manhã de hoje, quando retomam a marcha com destino a Belo Horizonte. Até o momento, não houve incidentes.
Os sem-terra passam a usar nesta quinta-feira tarjas negras nos braços, além de bandeiras e camisas do MST e de faixas contra o desemprego, a injustiça social e a privatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). ‘‘Estaremos demonstrando luto pela morte do senador Darcy Ribeiro’’, disse.
Os 300 sem-terra que iniciaram a marcha anteontem em Rondonópolis, a 210 quilômetros de Cuiabá, caminharam 12 quilômetros no primeiro dia, pernoitando às margens da rodovia BR-364, nas proximidades de Pedra Preta (MT). Antes de iniciarem a caminhada os sem-terra realizaram um ato público no centro da cidade, que contou com representantes da igreja, sindicatos, CUT e partidos políticos. O grupo é formado por 65 sem-terra do Mato Grosso do Sul, 65 de Rondônia (RO), 30 de Brasília, 30 de Goiânia e 140 de Mato Grosso.
Sob chuva, os sem-terra que deixaram São Paulo anteontem rumo a Brasília prosseguiram ontem a marcha pela Rodovia Anhanguera. A chegada a Brasília está prevista para o dia 17 de abril, quando completa um ano da chacina de Eldorado de Carajás (PA), onde morreram 19 sem-terra.

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