Salvador, 15 (AE) - O governo baiano, comandado pelo PFL, apóia a manifestação que os sem-terra farão amanhã (16) em frente ao Tribunal de Justiça, em Salvador, para lembrar o dia do massacre do Pará, e reivindicar rapidez no processo de reforma agrária. Cerca de quatro mil trabalhadores rurais iniciaram a marcha no sábado, na cidade de Feira de Santana (a 108 quilômetros de Salvador) em direção à capital.
O governador César Borges (PFL) determinou às Voluntárias Sociais da Bahia que prestem total assistência aos sem-terra. Médicos do governo examinaram dezenas de pessoas e identificaram um surto de conjuntivite entre os participantes da marcha. Muitos também estão com gripe, viroses e verminoses. O governo doou também quatro mil cobertores, 300 latas de sopa (cada uma rende 35 pratos), remédios, 100 banheiras para bebês, tecidos de fraldas e flanelados.
Borges recebeu hoje comissão do Movimento dos Sem-Terra (MST) e colocou-se à disposição para intermediar junto à Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o apressamento no processo de vistoria de terras improdutivas. O governador sugeriu, ainda, que os líderes dos sem-terra incluam os assentamentos nos programas de assistência médica do Estado. Surpresos com a receptividade do governo, os líderes sem-terra prometeram realizar uma manifestação pacífica.
O relacionamento entre o MST e o governo baiano era crítico em maio do ano passado, quando um grupo de flagelados saqueou a Cesta do Povo (programa do governo que vende gêneros de primeira necessidade a preços baixos) da cidade de Curaça, situada no norte, às margens do Rio São Francisco.
O governador César Borges (PFL) determinou apuração rigorosa do caso e, no mesmo dia, seis integrantes do MST que lideraram o saque foram presos. Irritado, Borges disse que não iria admitir novos saques na Bahia e cortou todos os programas de assistência que o Estado mantinha nos assentamentos do MST, como a construção de escolas, postos de saúde, obras de infra-estrutura
orientação técnica e distribuição de sementes.
Depois da reação dura do governo, não foi registrado mais nenhum saque no Estado, até o momento. Com isso, nos últimos meses, as lideranças do MST voltaram a procurar Borges, que não se negou a recebê-los, para reabrir o diálogo.

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