Marcha dos índios é impedida
Agência Estado
A marcha indígena que encerrou, ontem pela manhã, a Conferência dos Povos Indígenas em Santa Cruz de Cabrália (BA), foi barrada pela Polícia Militar na saída da cidade. Os policiais usaram a Cavalaria e atiraram várias bombas de gás lacrimogênio, ferindo uma índia.
Cerca de três mil manifestantes seguiram na marcha, em meio a um grande temporal. Aos índios se juntaram integrantes do MST, Movimento Negro, punks, militantes do PT, integrantes da Organização Brasil Outros 500, além de parlamentares da oposição. Os índios estavam pintados e portavam bordunas, arcos e flechas, mas não reagiram às bombas da polícia, recuando para Cabrália.
O cacique Naílton Pataxó, indignado, disse que os índios queriam fazer uma manifestação pacífica em Porto Seguro, mas foram agredidos, a mando do presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador César Borges (PFL).
Turistas que estavam em Cabrália para passar o feriado prolongado mostravam-se também revoltados com a atitude da polícia. Isso é ditadura, disse o paulista Fernando Cerqueira. Esses índios são pacíficos, não iriam agredir o presidente, achava. Por causa do conflito ocorrido no final da manhã, centenas de turistas ficaram retidos em Cabrália, sem poder seguir viagem para Porto Seguro. Como forma de demonstrar sua desaprovação ao conflito, os turistas aplaudiam grupos de índios que retornavam da barreira policial.





