Marcha dos Cem mil estimula participantes do Grito dos Excluídos
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terça-feira, 31 de agosto de 1999
Por Ricardo Osman 
São Paulo, 01 (AE) - A Marcha dos 100 mil realizada em Brasília estimulou 150 pessoas que seguem a pé de São Paulo, pela Via Dutra, para participar do ato Grito dos Excluídos, 170 quilômetros distante, em Aparecida (SP). "A Marcha foi bem-sucedida e isso nos animou", declarou o padre José Aécio Cordeiro da Silva, da Paróquia do Cristo Ressuscitado, em Vila Brasilândia. "Este ano, dobrou o número de caminhantes", acrescentou.
Desempregados e donas-de-casa estavam hoje em Arujá e amanhã (02) chegam a Jacareí. Eles vão a pé, pelo acostamento, levando bandeiras com símbolos dos movimentos populares, um crucifixo de madeira e a imagem de Nossa Senhora de Aparecida. "A romaria é um ato de fé, mas tem uma mensagem profética: a denúncia das injustiças e anúncio da necessidade da igualdade", disse o padre.
O desemprego e a violência na região de Brasilândia são queixas comuns entre os integrantes deste grupo. O aposentado Juarez Trindade de Araújo, de 69 anos, carregava no fim da tarde de hoje a imagem de Nossa Senhora Aparecida. "Estamos fazendo uma propaganda a favor do trabalho", contou. A seu lado, seguia o desempregado Roberto Santana, de 24 anos, que pela primeira vez participava da marcha rumo ao Grito dos Excluídos. Ele deixou a mulher Teresa, 21 anos, em casa, no bairro de Santana, e engrossou a fileira do protesto. "Vim dizer não a este plano econômico", observou este auxiliar de escritório, com segundo grau completo, mas há um ano e meio sem trabalho.
Há mulheres nesta romaria, como Kátia Aparecida Alves da Silva, de 19 anos, que trabalhava com telemarketing, e a mãe do jovem Luiz, Maria Auxiliadora Aleixo. O garoto desconhece as razões políticas do movimento. "Gosto de caminhar e rezar", revelou. A mãe cansou, na tarde de hoje, e seguiu em uma das duas kombis que dão apoio ao grupo, organizado pelas pastorais sociais da região de Vila Brasilândia. Um carro de som vai ao lado e nele segue um cantor, que alterna os slogans comuns nos protestos com músicas de Milton Nascimento.


