Marcha dos 100 Mil chega a Brasília no dia 26
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segunda-feira, 16 de agosto de 1999
Por Lige Albuquerque 
Brasília, 17 (AE) - A oposição vai por à prova o poder de mobilização social na Marcha dos 100 Mil, que chega a Brasília no dia 26, organizada em protesto contra o governo federal. "Poderíamos mobilizar 300 mil pessoas, mas, como os sindicatos e entidades é que estão bancando as caravanas, a crise não permitirá maior número de participantes", afirmou o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP).
Amanhã (18), representantes dos outros partidos de esquerda - PSB, PDT e PC do B - aderiram ao apoio do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, à manifestação dos agricultores hoje, em Brasília.
"Estaremos apoiando sempre qualquer manifestação contra este governo", declarou Lula. A expectativa da oposição é que a manifestação torne viável o recolhimento de um abaixo-assinado com 1 milhão de assinaturas, pedindo a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o leilão de privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), cuja instalação foi derrubada pela bancada governista no Congresso. Para Lula, a expectativa é intensificar um "clima" de descontentamento com o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso. "O ato é um começo e não um fim", completou Dirceu.
A capacidade de mobilização da esquerda e o descontentamento com o governo federal, prevêem, poderá resultar num maior número de prefeitos da oposição nas eleições de 2000. "Esperamos uma colheita enorme nas eleições, se soubermos fazer o jogo político e não tropeçar nos próprios pés", afirmou Lula. "Tropeçar nos próprios pés é não saber administrar birras porque, na oposição, não há divergências, só birras", explicou. Lula acredita que, em 2002, a esquerda conseguirá conquistar as prefeituras de pelo menos dez capitais.
O presidente de honra do PT comentou que tem uma "divergência" com o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola
sobre a iniciativa do partido em fazer um abaixo-assinado pedindo a renúncia de Fernando Henrique. "Isso é apostar num gesto de grandeza que o presidente não é capaz de ter", disse. O PT, segundo ele, prefere "apostar" no principal objetivo da manifestação do dia 26, de completar as assinaturas para a instalação da CPI.
Lula retomou as críticas ao presidente. "Ele perdeu a independência de seus atos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e ao senador Antonio Carlos Magalhães (presidente do Congresso, do PFL da Bahia), que dita regras ao governo, acabando com a autoridade de um governo que não tem condições políticas e morais para governar", afirmou. Para ele, os índices de rejeição ao presidente devem aumentar. "Ele está no fundo do poço, mas sempre pode cavar mais no fundo."
As declarações de Lula repercutiram no Palácio do Planalto. No início da tarde, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, saiu em defesa do presidente e atacou o líder petista. "É alarmante o Lula fazer esse tipo de afirmação golpista", disse Ferreira, frisando que as declarações do presidente de honra do PT o desqualificava como candidato à Presidência por incitar a ruptura da ordem institucional. "Parece que (as críticas) é para esconder a falta de propostas reais para o País."


