Marcha deve reunir 4 mil pessoas
Dimitri do Valle
Cerca de 4 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chegam hoje a Curitiba. Eles ficarão acampados em frente ao Palácio Iguaçu para protestar contra as 14 desocupações e 42 prisões de lideranças promovidas no mês passado na região noroeste do Paraná. A manifestação já vem acompanhada de um impasse: o Governo do Estado e a Prefeitura colocaram à disposição dos sem-terra o Parque dos Tropeiros, a 25 quilômetros de distância do Palácio.
Os sem-terra exigem a suspensão das operações de desocupação e a libertação de todas as 35 lideranças presas. Para demonstrar as boas vindas ao MST, o Governo do Estado e a Prefeitura irão distribuir refeições aos sem-terra, colocarão à disposição banheiros com chuveiros elétricos, ambulância e atendimento médico. Só que toda esta infra-estrutura estará localizada no Parque dos Tropeiros. Os representantes do MST descartam qualquer possibilidade de montar o acampamento no local.
Esse acampamento não é um piquenique, mas uma denúncia contra as perseguições políticas e torturas cometidas pelo governo de Jaime Lerner no mês passado, disse o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio. A chegada dos sem-terra a Curitiba finaliza a marcha iniciada há uma semana em Ponta Grossa, onde estão presos há um mês e dez dias seis agricultores ligados ao MST, que foram desalojados da fazenda Santa Maria, em Ortigueira. O Ministério Público já pediu o arquivamento do processo contra os acusados, mas até o início da noite de ontem eles continuavam presos.
A coluna de cerca de 450 sem-terra que caminhou pelas BRs-376 e 277 montou acampamento provisório na noite de ontem na Paróquia Orleans, no Campo Comprido. De lá, eles seguiriam até o Parque Barigui, onde outras caravanas de trabalhadores rurais de todas as regiões do Estado, Rio de Janeiro e Belo Horizonte irão se reunir. Por volta das 11 horas está previsto um ato de solidariedade ao MST em frente à Catedral Metropolitana, na Praça Tiradentes. Uma hora depois os sem-terra iniciam a instalação do acampamento em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico.
O secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, anunciou que os prédios públicos na área do palácio não receberão segurança reforçada. Esperamos recebê-los com muita tranquilidade, disse. O secretário desaprovou a intenção dos sem-terra de acamparem em frente à sede do governo do Estado. É um dado novo e vamos fazer o possível para que não haja acampamento no Centro Cívico. Se acontecer vamos evitar embaraços para o cotidiano da cidade.
A governadora em exercício Emília Belinati declarou que o governo está aberto ao diálogo. Sobre os atos programados na capital, ela respondeu que os protestos fazem parte do jogo democrático.





