Marcha de zumbis reúne 200 pessoas
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domingo, 02 de setembro de 2012
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem Local 
Muita gente pode ter se assustado na tarde de ontem ao se deparar com centenas de pessoas ensanguentadas, marcadas por cicatrizes, olhos roxos e roupas rasgadas no Centro de Londrina. A multidão parecia ter saído de um filme pós-apocalíptico, mas a reunião não passava de um divertido encontro de amantes da estética zumbi. O encontro, denominado 3º Zombie Walk, reuniu cerca de 200 pessoas na Concha Acústica, e foi marcado por uma caminhada que partiu às 17 horas rumo a um bar localizado na Avenida Juscelino Kubitschek. Lá, os participantes puderam apreciar shows das bandas Zombie Jam, Billys Bastardos e Subcut.
As referências para as fantasias passaram mais pelos zumbis ensanguentados e maltrapilhos de filmes do gênero trash do que pelos mortos-vivos de filmes como ''Eu sou a lenda'' ou pelo game Resident Evil. A maquiagem era composta por roupas velhas rasgadas e muita cola, farinha de trigo, groselha e tinta guache.
O adolescente Diego Fiori, de 16 anos, veio de Ibiporã somente para participar da caminhada e relatou que levou meia hora para elaborar toda a produção, composta por uma máscara de goleiro de hockey no gelo, camiseta da banda Slipknot e muita maquiagem. ''É legal. As pessoas devem ter medo de quem está vivo e não de quem morreu'', brincou.
Tanta gente ''ensanguentada'' também não intimidou a pequena Laura Freitas de Paula, 9 anos, que foi ao evento acompanhada pela tia Andréa Freitas, 35. ''Eu não me assusto não. Acho divertido'', declarou Laura.
A bancária Nilza Félix de Sá, de 39 anos, foi acompanhar as filhas e a sobrinha e estava achando divertido ver tanta maquiagem até se lembrar de como elas iriam embora para casa. ''Elas terão que ir embora de ônibus, porque no meu carro não vão entrar desse jeito. E antes de entrar em casa terão de tomar banho de mangueira'', afirmou. Sua filha, Camilla Haseda, não se importou com a crítica da mãe e afirmou que às vezes acredita numa possibilidade de haver um futuro em que existam zumbis reais. ''Já houve tentativas de implantação de chips na cabeça das pessoas que podem tornar essas pessoas controladas como se fossem zumbis'', afirmou.
O organizador do evento, João Paulo Batista Álvares, 31 anos, definiu o encontro como um flashmob (espécie de reunião relâmpago combinada pelas redes sociais) com o objetivo de reunir as pessoas que gostam de rock, punk rock, psychobilly e música underground sob a estética zumbi. ''A ideia foi que as pessoas se divertissem, com os participantes interpretando mortos-vivos como se fosse um apocalipse zumbi'', explicou. Ele destacou que esse evento começou antes do lançamento de séries televisivas como Walking Dead e que o surgimento de produtos assim é decorrente da descoberta pela indústria de um nicho de mercado que começou a ficar bastante popular.
Para o comerciante Rogério Vizacaro, de 40 anos, a manifestação também é uma forma de crítica à sociedade, que anda muito passiva, mesmo diante de tantos casos de corrupção. ''Por outro lado a gente está vivo, de uma maneira bem louca, mas está'', argumentou.


