Marcha das vadias questiona projetos de leis
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domingo, 13 de dezembro de 2015
Carolina Avancini<br> Reportagem Local 
Contra o machismo, a opressão e todo tipo de violência contra a mulher e à população LGBTT, manifestantes se reuniram ontem no Calçadão de Londrina em mais uma edição da Marcha das Vadias. Os participantes se reuniram para confeccionar cartazes e pintar os corpos. Em seguida, saíram em passeata pelo Centro da cidade.
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, foi um dos principais alvos do protesto. O deputado é autor do projeto de lei 5.069/13, que segundo os manifestantes dificulta a realização de aborto legal e seguro por mulheres vítimas de estupro ao exigir a realização de boletim de ocorrência em delegacia para comprovar a violência sexual.
"Não faríamos a marcha este ano, mas por conta de tantos projetos de lei tramitando no Congresso que podem trazer retrocesso aos direitos conquistados pelas mulheres, resolvemos nos organizar", disse Meire Moreno, do Coletivo Feminino EVA, que organiza o evento. Segundo ela, outro motivo de preocupação são as propostas que visam proibir professores de tratar das chamadas questões de gênero nas salas de aula. "Também somos contra o Estatuto da Família, que quer reduzir os conceitos de família existentes", completou.
Acompanhada da filha, a pequena Helena, de 2 anos, a estudante Cassiel Custódio contou que decidiu participar da Marcha das Vadias por ter despertado para as causas feministas após o nascimento da menina. "Vim por ela. Quero lutar para que minha filha tenha seus direitos garantidos e não seja vítima do machismo como eu fui", argumentou, acrescentando que a filha merece viver "em um mundo onde não precise ter medo de ser violentada ou estuprada ao sair de casa".
A Marcha das Vadias é um ato político realizado desde 2012 em Londrina. No mundo, a manifestação iniciou em 2011, na Universidade de Toronto, no Canadá. Na época, a universidade registrou muitos casos de abusos sexuais em mulheres no campus e a comunidade universitária decidiu fazer um ciclo de palestras sobre o assunto. O policial convidado a palestrar, entretanto, causou revolta ao aconselhar às mulheres a não se vestirem como "vadias" para evitarem a violência e o estupro. Diante de tal comentário, elas decidiram ir às ruas protestarem contra a cultura do estupro, levando mais de 3 mil pessoas. O movimento, chamado de Marcha das Vadias, se expandiu rapidamente pelo mundo.


