Brasília, 06 (AE) - Entre 15 mil e 20 mil pessoas - segundo os organizadores - protestaram hoje na Esplanada dos Ministérios contra a política educacional do governo Fernando Henrique Cardoso. Os líderes do movimento entregaram cópias de um dossiê chamado Retrato da Escola ao presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ao presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP) e ao ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
A caminhada - chamada Marcha Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública - reuniu professores, estudantes, secretários de educação, sindicalistas, pequenos agricultores, donas de casa, agentes pastorais e sem-terra. O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, e o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu, participaram do protesto e criticaram "o abandono do ensino no País".
Cerca de 50 deputados federais e estaduais, a maioria do PT e do PC do B, reforçaram o movimento, que foi pacífico e se prolongou das 8 às 17 horas. A polícia filmou a manifestação e não registrou incidentes. Foram mobilizados 2 mil soldados e oficiais para acompanhar o protesto. O coronel Jair Tedeschi, coordenador de Planejamento Operacional da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, afirmou, no fim da tarde, que não houve detenções - a polícia tinha receio que punks e estudantes promovessem "ações hostis". Na avaliação do coronel
havia, "no máximo", 5 mil pessoas na manifestação.
Gastos - A marcha foi organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e pela CUT. Foram desembolsados R$ 180 mil pela CNTE para cobrir gastos com a contratação de cem seguranças, quatro trios elétricos, locação de equipamentos de som, fretamento de ônibus e outras despesas. A CUT contribuiu com parte da verba. Os manifestantes chegaram a Brasília em 400 ônibus e concentraram-se no pátio na frente da catedral. Um exército de 200 camelôs estabeleceu-se na região, oferecendo salgados e refrigerantes. Quarenta banheiros portáteis foram alugados pela CNTE e instalados na margem do gramado central da Esplanada.
O protesto começou às 11h30. Ao som de apitos e animada pela banda Sol e Verão, que executou marchinhas carnavalescas e pagode, a passeata seguiu pela Avenida dos Ministérios e contornou o Congresso. O momento de maior preocupação para os coronéis que comandaram a operação policial foi quando os manifestantes passaram pela porta do Palácio do Planalto vaiando e xingando o presidente.
No ato na frente do MEC, o presidente da CNTE, Carlos Abicalil, denunciou que o governo tirou R$ 4 bilhões dos municípios, recurso que seria destinado ao ensino público. José Dirceu falou "dos 33 milhões de analfabetos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral".

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